Depois de publicar uma breve estatística de um sábado de fotografias, agora publico o que acontece às imagens captadas.
Num dia típico posso captar algures entre 100 e 500 fotografias, muitas delas simples variações de composição e/ou exposição e é preciso catalogar, organizar, escolher e editar cada uma delas. Aqui abro um pequeno parênteses para afirmar o seguinte: sou uma desgraça organizacional. Um ficheiro é arquivado algures e nunca mais sei dele e detesto a pequena arrumação de pastas e pastinhas que o Windows tem, sempre me perdi naquilo. Aliás ainda organizo as coisas um pouco assim mas com o Mac OS e o Finder as coisas têm melhorado. Faz-me confusão ter um ficheiro dentro de uma pasta e precisar do Nero ou de outro programa ‘pirómano’ para uma simples gravação em CD. De volta à fotografia. Dito isto, preciso de algo que me arrume as fotografias e as organize segundo critérios apertados definidos por mim: benvindos ao Aperture.
Chego a casa e depois de arrumar mochilas, roupa e calçado e refrescar-me com um banho é hora de meter as fotografias no Aperture, para isso abro a aplicação e selecciono o projecto para onde vão as fotografias. Meto o cartão de memória no leitor – um SanDisk ImageMate – e Aperture pede-me para confirmar se quero meter as fotos nesse projecto, com a opção de apenas escolher algumas, coloco o nome que vai ser dado aos ficheiros, as keywords para pesquisas facilitadas e já está.
É nesta barra que a ‘magia’ inicial acontece e estão disponíveis várias opções:
1) Store Files: é possível trabalhar com imagens que não estejam arquivadas na biblioteca interna do Aperture, embora com a subsequente perda de funcionalidades internas do próprio programa como o backup autónomo, e assim manté-las na sua localização actual. É a velha organização à Windows, descarregar as fotografias numa pastinha e depois dizer ao programa onde estão e trabalhar a partir daí, se não é um fotógrafo ‘on the fly’, esqueça e meta tudo dentro da biblioteca, se trabalha com as mesmas imagens em vários computadores o melhor é trabalhar com as imagens todas numa hard drive externa e editá-las assim. Serve bem o propósito de um fotógrafo de natureza: no terreno é possível verificar os ficheiros e fazer uma edição rápida para depois completar o trabalho em casa.
2) Keywords são pequenas etiquetas de texto que permitem organizar, procurar e catalogar as imagens. São um pequeno resumo do que é a imagem, onde foi tirada – embora eu deixe essa opção para o título do ficheiro – e outras que deseje lá colocar.
3) Version name: eu coloco sempre o local onde as fotografias foram captadas. Sempre. Mas cada um pode seleccionar o que lá quer pôr, claro mas sem esquecer que esse será o título de todas as imagens que vai importar, se tem algumas flores espalhadas no meio de paisagens, o melhor é importar cada tipo de fotografia e dar-lhe o respectivo título. Tem a opção de alterar ou não o ficheiro Master, o que eu não faço.
Depois disto escolho as imagens segundo um critério meu de classificação: uma ou duas estrelas, nem interessa perder tempo, três estrelas é preciso verificar composição, luz e potencial ou seja são as imagens para editar. O Aperture, através do uso intensivo de pastas inteligentes cujos critérios de selecção são escolhidos por mim, depois separa tudo. Em qualquer momento sei que fotos têm a classificação de quatro estrelas – Flickr e fotoblogue, quais as fotos de cada ano e separa também as melhores fotografias (quatro e cinco estrelas) por anos.
Ainda existe uma outra pasta com fotos que ainda não foram classificadas nem editadas, são habitulamente as que estão em linha de espera para serem triadas e editadas.
A pasta de impressão serve para testes de impressão, onde basicamente afiro qual o tamanho maior em que posso imprimir determinada imagem e se depois de impressa existem defeitos que escaparam durante a edição ou se esta deixou artefactos que necessitem de correcção.
E para a organização é tudo o que faço.
Depois da organização a edição.
E vamos melhor com o exemplo do que com a palavra. Pego então numa imagem escolhida porque usa o arsenal todo de edição que anda cá por casa.

1) correcção dos níveis. Primeiro de forma automática, depois com correcção manual;
2) corrigir sharpening;
3) como o céu está com zonas queimadas, a imagem é enviada para o LightZone e edito o céu;
4) a cor está claramente a mais, por isso segue para o Silver Efex Pro para ser transformada em preto&branco;
5) corrijo as sombras e as altas-luzes, escolho o tipo de filme – Fuji Acros 100 e dou-lhe um pouco de grão, na tonalidade opto por um split-toning verde/amarelo.
O resultado final:

É um exemplo rápido de como escolho, selecciono, organizo e edito as minhas fotografias. Geralmente esta não seria a única versão da imagem, poderia fazer uma com tonalidade sépia, outra com tonalidade fria, uma versão infra-vermelho, poderia fazer tudo no LightZone sem passar pelo Silver Efex Pro, etc. Cada imagem é um caso que merece atenção e paciência, às vezes edito as imagens passado dois ou três meses após a captura para evitar ter ainda ligações demasiado emocionais à imagem, que poderiam ter um efeito nefasto na sua classificação.
Vale a pena espreitar e sobretudo pensar que o mercado de arte se tem mantido sempre com rentabilidades acima do mercado de acções, desde que invista em valores seguros.

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