Mensagens com Etiquetas ‘produção fotográfica



12
Out
09

Um ano, uma câmara, um filme.

Quando há cerca de seis meses li um artigo sobre como tornar uma Leica (qualquer Leica e apenas Leica) num professor no ‘the online photographer‘ – e as suas sequelas: ‘porquê uma Leica‘ e ‘variações de um tema‘ – reconheço que não lhe prestei muita atenção; li e apreendi o conceito mas toda a mística à volta do nome Leica não me levou a profundar o tema.
Mas 2010 está ai e quando comecei a procurar formas de melhorar composição e grafismo lembrei-me dos artigos e apenas uns segundos depois – maravilhas da rede global e do Google – estava de novo a ler os mesmos.

O que também me despertou para este projecto foi o início de uma colecção e de um momento para o outro tenho na minha mão uma Nikon F3 (1980) em excelente estado e a funcionar razoavelmente para a idade. Adquirida através do eBay, usada e através de vendedor/loja com alguma confiança.
Mas a F3 interessou-me (a F3 na Camerapedia e no Camera Site), não só pelo legado histórico, mas pelas possiblidades de uso; uma máquina pequena, leve e inteiramente mecânica (bem, não inteiramente mas funciona com uma pilha botão e pode em caso de avaria ser disparada com um pequeno manípulo que tem). Isso e o facto de que tenho em casa uma caixa de filme Kodak Tri-X guardada no frigorífico à espera de dias melhores. E de repente encontro-me a ler os artigos no ‘the online photographer’ não com um interesse pelas Leicas mas pelo projecto em si.

E o projecto é simples e rápido de descrever: um ano, uma câmara e um filme. O objectivo também é simples: aprender a ‘ver’, disparar o máximo de rolos, revelar, visualizar e aprender a reconhecer formas e a luz.
No meu caso a Leica é substituída por uma Nikon F3 mas tudo o resto se mantém, vou usar uma lente 28/f2.8 que andava cá por casa e que já esteve para ser vendida e vou usar o filme Kodak Tri-X 400ASA. Também já sei que projecto vou efectuar com o conjunto e será algo muito fora do meu habitual mas mais detalhes ficam para depois de ter o projecto pronto…
Posso adiantar que se trata de um projecto de rua, longe dos campos e montanhas idílicas que costumo percorrer, será inteiramente feito em formato analógico para ser impresso em tamanho A4 e totalmente a preto&branco. Interessa-me particularmente o modo como vou concretizar esta ideia na película e como transmitir a mensagem que delineei de uma forma subtil. Será um desafio que me vai obrigar a sair da minha zona de conforto e isso só pode ser bom.

06
Out
09

(T)(S)er.

“What we do during our working hours determines what we have, what we do in our leisure hours determines what we are.”

George Eastman

É sempre uma discussão, esta do ser e do ter, interessante de debater com fotógrafos. Se por um lado a fotografia é arte por outro lado é inegável o lado técnico e tecnológico e perceber até que ponto cada um dos lados influencia o outro é uma discussão com possibilidades infinitas.
Será um fotógrafo cada vez melhor se tiver mais e melhor equipamento? Será a arte independente das ferramentas?

Acho que a questão central deste debate será sempre o de cada um ter as ferramentas necessárias para atingir os objectivos a que se propõe, aqui é que reside o problema de facto nos debates em torno dos equipamentos fotográficos, é que sem objectivos claros qualquer justificação serve para comprar uma nova máquina, uma nova lente ou uma nova impressora. Poder ter e manusear o melhor e mais recente equipamento, custe ele 1.000€ ou 10.000€, é uma justificação perfeitamente aceitável do ponto de vista da justificação da aquisição, do ponto de vista da utilização é fraca razão para o justificar e muitas vezes o Ter é mais forte do que o Ser. Resolver uma falta de inspiração ou tentar lutar contra a mesma empurrando o problema para a frente, gastando dinheiro numa nova lente que de repente vai resolver tudo é o caminho mais certo para ter uma excelente colecção de equipamento ao fim de uns anos mas também uma colecção impressionante de fotografias medianas…

Um fotógrafo, dizem que eu não tenho assim tanta certeza, fotografa com qualquer coisa nem que seja um pinhole feita com uma lata. Talvez. Mas um fotógrafo sentado numa margem de um rio à procura de fotografar uma garça real, chegaria a casa sem nada publicável e vendável.
Se as ferramentas não fazem o artesão, as ferramentas apropriadas fazem toda a diferença. Saber o que usar, quando o usar e porque o usar são apenas algumas das muitas decisões criativas que um fotógrafo tem que tomar. Um bom fotógrafo não compra uma lente (substituir por máquina, tripé, filme, o que melhor se adaptar a cada caso) que depois encaixa no seu método de trabalho, um bom fotógrafo compra uma nova lente porque para atingir determinado objectivo criativo precisa dessa lente.

Olhar, ver, sentir e fazer a fotografia são talvez as melhores ferramentas que os fotógrafos têm à sua disposição. Ter objectivos claros e bem definidos antes de carregar a mochila é meio caminho para fazer boas fotografias; trabalhar para um livro, uma exposição é trabalhar para um fim, sair e fazer algumas fotografias sem esse foco central é apenas trabalhar para o stock e nada mais. E o stock é algo que se mostra à família, aos amigos mas que dificilmente impressiona alguém fora desse círculo. Para atingir objectivos mais audazes temos que ser capazes de os impor a nós mesmos mas sobretudo ser capazes de os cumprir. Até ao fim. E sobretudo procurar não disfarçar a falta de objectivos com o excesso de equipamento.

20
Abr
09

galeria e fotoblogue.

A galeria mariovnova.com tem imagens novas. São o resultado de algumas das minhas últimas sessões e no projecto ‘new images’ foram colocadas três novas imagens.

Em relação ao fotoblogue vou mudar um pouco o rumo do mesmo dado que o formato actual não me estava a agradar particularmente, assim passa a ser não só um pequeno caderno de esboços fotográficos mas também um conjunto de apontamentos sobre as razões porque acho que as fotografias que lá estão são apenas degraus até chegar às boas fotografias. Espero assim criar um pequeno espaço de debate muito interessante sobre a diferença entre uma fotografia razoavél e uma boa fotografia. Estejam atentos…

23
Mar
09

estatística de um sábado em bertiandos.

180 quilómetros
± 10€ de gasóleo
3 barras de cereais
2 baguetes
0,75cl de chá Pu-ehr
1 maçã
495 fotografias
2 panorâmicas
despertar às 6:20
deitar às 24:00
chegada a bertiandos: 9:00
saída de bertiandos: 18:40
hora da primeira foto: 09:55
hora da última foto: 18:14
metereologia: de manhã frio, chuviscos e nevoeiro; de tarde sol e boa temperatura.

23
Mar
09

produção de fotografia.

As fotografias não nascem espontâneamente. Além de trabalho (e dedicação, acrescento) é preciso uma certa logística para as ir fazer, nunca tinha reflectido sobre a ‘produção’ necessária para ir fotografar, quase parece uma produção de cinema mas de facto até que as fotografias apareçam no ecrã no iMac houve trabalho pelo caminho.

A preparação começa na quinta-feira, o iCal avisa-me de ir consultar o AccuWeather para ver o tempo nos locais habituais, para não perder tempo agendei para o ano todo este alarme. Se o tempo está bom para fotografar (todo o tempo é bom excepto chuva forte e trovoadas), é necessário tratar de tudo o resto: mochila, roupa, alimentação e combustível.

A mochila leva o equipamento necessário ao que levo na ideia para fotografar e o que vai lá dentro depende também se me vou apoiar na viatura 4×4 ou se vou fazer o percurso a pé. Tenho que assegurar que as baterias da máquina são carregadas na sexta e levo sempre duas carregadas, ou se achar que vou fotografar mais do que o habitual levo três, nesta caso levo também o Jobo Giga One de 40GB. Os cartões devem estar ‘limpos’ e preparados para serem usados de imediato. Se o tempo ameaça uns choviscos levo uma capa de protecção para a mochila – uma Lowepro micro trekker 200. Tenho que preparar o tripé e montar uma rótula em função se vou usar ou não a AF-S 300/2.8 G VR.
Se for andar muito a pé e levo a 300/2.8, uso uma Lowepro micro trekker 100, apenas com a Nikon D200 mais um objectiva macro para viajar mais leve (a 300/2.8 pesa três quilos…).

A roupa depende do tempo que vou enfrentar mas a minha filosofia tem sido não poupar nas camadas mais junto ao corpo: camisolas interiores, calças e meias. O calçado tem que ser bom e específico de montanhismo, qualquer outra coisa não cumpre e os pés sofrem. As calças devem ser boas e resistentes, de materias transpiráveis. No inverno uso botas com membranas Gore-tex, no verão calçado mais leve. Em função do tempo, preparo então a roupa. Como posso fotografar fins de semana consecutivos tenho que ter algumas peças em duplicado para o caso de no inverno não secarem de uma semana para a outra.

A alimentação é simples, como vou para locais longíquos levo sandes, para beber sempre chá e/ou água, nunca esqueço fruta e barras energéticas (quatro no mínimo). No inverno sabe bem levar uma termos de chá bem quente para depois beber ao final de uma dia de andar a fotografar ao frio (no inverno Bertiandos tem uma média de temperaturas a roçar os zero graus).

Tenho que assegurar que o carro tem combustível, sobretudo se vou fazer percursos todo-o-terreno. Nesse caso atesto sempre o depósito. Se forem distâncias muito grandes, procuro sempre saber onde é a bomba de combustível mais perto do local para que tenha meios de encher o depósito, de preferência até às 22hrs. Nunca vou para locais desconhecidos sem GPS e preferencialmente nunca vou sozinho. Levo sempre telemóvel com carga completa e uma pequena soma em dinheiro (20-30€). Também nunca me posso esquecer de levar a chave de segurança das jantes, sem a qual não posso mudar um pneu em caso de furo.

Portanto além de estar inspirado tenho que estar preparado e assegurar que nada nesta produção falha, uma falha pode significar ficar no meio de uma serra sem combustível, furar um pneu e não o poder mudar ou perder-me, pode significar passar frio, ficar sem comer ou com a roupa encharcada e sem poder comunicar, situações nada agradáveis sobretudo no inverno.




mário venda nova







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