Mensagens com Etiquetas ‘produção fotográfica

07
Dez
09

A fotografia como sopa instantânea…

(ligação directa para o vídeo)

Este é o presente da fotografia em Portugal? Meia dúzia de frases sem sentido, uma máquina digital, um cemitério e um bar como estúdio, não sei por onde começar, se pelas fotografias se pela inexistência de uma corerência se pela falta de imaginação ou pela ligeireza com que tudo é abordado.

Este exemplo, mas poderia encontrar centenas deles, é apenas a face visível de uma certa forma de estar na fotografia que infelizmente começa a grassar um pouco por todo o lado onde estejam duas pessoas com uma máquina na mão: a certeza de que todos somos fotógrafos. E de facto somos mas num sentido mais estreito nem todos o são. Ser fotógrafo é mais do que ‘fazer uma loucura’, significa ter um plano, um projecto, sentido estético e de organização visual. Aqui nada disso acontece, é tudo tão efemero, tão no limiar do banal que sinceramente fico estarrecido com a facilidade com que este tipo de discurso chega aos ecrãs de televisão. Este discurso, ou a ausência dele se quiserem, é apenas sinónimo de falta de alicerces sólidos de fotografia ou de conhecimento do que é na realidade ser fotógrafo, da visita ao site verifico que desde a paisagem ao nú, do fotojornalismo ao retrato não há um único tema que não esteja abordado pele Daniel Pedrogram e isso lamento dizer mas é um sinal evidente que de facto não existe uma coerência estética e que experimentar tudo até acertar é a única opção que resta. Das fotografias não há muito a dizer excepto que não existe uma única que se destaque no meio do ruído visual, a coerência não está lá e o conceito de triagem é tão atabalhoado que praticamente não se pode afirmar que exista.

Em visita rápida pelo Olhares, a plataforma que tem gerado algumas colaborações com o CPf sabe deus como, e pela página do fotógrafo reparo em verdadeiras pérolas de discurso auto-descritivo:
“Mais cenas minhas:” – usada para listar todos os sítios por onde anda a postar fotografias,
“Coments que curti:” – usada para listar uma série interminável de comentários, alguns em mau português, que sendo completamente inócuos não adiantam muito ao discurso geral.

Se de facto a elevação de um discurso em matéria visual – seja ele sobre fotografia ou sobre outra arte visual – é essencial para a constituição de um espírito crítico por parte do público então a mediatização de abordagens deste tipo só produzem ruído e apenas confundem quem deseja ter uma visão clara do que é a fotografia. Confundir isto com fotografia não só é mau como não ajuda em nada a real percepção do que é ser fotógrafo.

16
Nov
09

Novo projecto.

Por vezes puxar os limites do que fazemos pode ser bom. Limitar ao mesmo tempo, simplificar, as ferramentas usadas. Assim nasce o ‘contos de uma cidade silenciosa‘. Nasce de uma necessidade de traçar novos rumos, puxar os limites do que faço, sair de uma certa zona confortável e confrontar alguns fantasmas. Nasce da necessidade de depurar técnicas e ferramentas e para isso nada melhor do que uma câmara que está sempre à mão: a do telemóvel. Neste caso um BlackBerry 9000.

O conceito gira à volta da solidão, tristeza e do número nove. Apesar de estarmos sempre ligados – seja via telemóvel, internet, email, computador, etc. – o sentimento de solidão e isolamento é cada vez maior. Cada vez mais os centros das cidades são abandonados ao final de um dia de trabalho e hordas de carros e pessoas regressam às suas casas numa rotina infindável, ‘amaciada’ por um consumo desenfreado que disfarça o vazio que cada um de nós sente diariamente.

Mas o 9 tem um significado especial, e não só na cultura chinesa, mas na mitologia de diversas culturas, estando associado em quase todas à medida exacta da busca de proveito, ao corolário dos esforços, ao encerrar de um ciclo e início de outro superior, já que é o maior número singular.(…)
Nove é também o número de esferas celestes, de oríficios do corpo humano e dos meses de gravidez.(…)
A cultura japonesa é provavelmente uma excepção no que se refere à simbologia em que o número nove está envolvido, estando associado a azar e sofrimento.(…)
fonte: DN.

Começando hoje serão publicadas três fotografias por dia, ao fim de três dias serão nove (três dias são 72 horas e 7+2 é igual a nove), sempre publicadas às 03:00, 12:00 e 21:00. A soma destes números é 36, cuja soma (3+6) é igual a nove.
É certamente o início de um ciclo novo, talvez de sorte, talvez de sofrimento, talvez de azar.
As fotografias são a preto&branco e saem assim do BlackBerry ou seja não têm nenhum pós-tratamento digital. Estou bastante interessado num trabalho ‘visceral’ sem intermediários, tal e qual como sai da câmara, se sair bem fica, se sair mal é eliminado.
As influências são várias desde a fotografia japonesa à BD, passando pela música e pela poesia, memórias de canções e textos que li desde que me conheço. O nome do projecto nasce do nome de uma música de um grupo e que surgiu numa pesquisa no iTunes com a finalidade de fazer uma pesquisa para dar título ao projecto (é assim que nascem todos os títulos dos meus projectos). Depois de ter o conceito do projecto e de ter o esqueleto do que pretendo fazer vou à procura do título de uma música (ou muito raramente de um disco) que se adapte ao projecto.

02
Nov
09

De tanto pensar, a minha inspiração acabou…

Têm sido dias calmos aqui no blogue, feitos há medida de um tempo que custa a passar. Mas não foi isso que me levou a escrever este artigo mas sim o trabalho, o trabalho fotográfico.
Trabalhar como comissário na galeria Colorfoto tem sido fantástico mas também tem servido para colocar o meu próprio trabalho em perspectiva e questionar métodos de trabalho em fotografia. E se calhar voltamos ao meu tema favorito: objectivos. Objectivos qualitativos e quantitativos, claros, mensuráveis e realizáveis.

Sair para o campo sabendo o quê, como e porquê. Sobretudo para quê: um livro, uma exposição – individual ou colectiva, um concurso ou publicação. Sem isto claro na cabeça, fotografar porquê? Não falo de amadores mas de profissionais dos que não vivem da fotografia, semi-profissionais se quiserem melhor definição. Arrastar equipamento monte acima e abaixo, para fazer o que já foi feito milhares de centenas de vezes? Parece pouco e de facto é…
O que é hoje a fotografia de natureza? Como exprimir contemporaniedade num género tão cliché como a fotografia de natureza? Como não parecer tão século XIX, tão pictorialista ou tão ’straight photography’? Desafios, desafios…

Desde já: não ler revistas/livros/sítios web dedicados em exclusivo à fotografia de natureza. Ler sobre fotografia, ver fotografia e comprar fotografia. Ler as revistas Aperture, C, Source ou Eyemazing. Ver exposições, onde quer que elas estejam, procurar, ver, apreciar, gostar ou não, analisar. Comprar impressões na Troika, na galeria Colorfoto ou na 20×200.
Ter prazer em folhear um livro de um fotógrafo que se desconhece, descobrir imagens de um género que não faz o nosso género, olhar e procurar ver o que está para além do olhar, descobrir o que faz uma boa fotografia.

Ver o Adams através do contexto, ver o Adams através de um olhar crítico, venerar o Adams por ter sido tão bom no seu tempo e ainda ser bom hoje. Olhar para o Adams como símbolo de um modelo que teve o seu tempo, que não pode ser transposto para o hoje sem que o ontem não venha agarrado a ele como uma segunda pele. Olhar para o Adams e perceber como trabalhava e porquê. Olhar para o Adams e perceber que perpetuar um tipo de imagem, de trabalho, não é homenagear é copiar. É entender que os Joy Division foram os Joy Division no seu tempo e que os Editors são apenas uma pálida imagem do que foram os Joy Divison, uma cópia sem sentido mais nenhum do que apenas fazer mais do mesmo na esperança de que ninguém dê conta de que a fórmula afinal de contas não é nova. Não me entendam mal, Adams e Joy Division foram geniais no seu tempo e as suas obras conseguem o raro feito de perdurarem no tempo como referências nos respectivos ramos da arte. Duvido é da pretensão de os fazer perdurar no tempo não através das suas obras mas através de uma criação que não consegue escapar a essas referências numa indulgência criativa que apenas as rumina constantemente numa atitude referencial em círculo fechado, estanque e em circuito fechado. E isso não significa nada de bom.

Talvez a solução esteja no kung fu. A arte Marcial? Não!, o conceito (wikipédia, em inglês). Eu explico mas não hoje. Hoje de tanto remoer isto a minha inspiração acabou e com ela acabou toda a minha fotografia como a conhecia até hoje…

12
Out
09

Um ano, uma câmara, um filme.

Quando há cerca de seis meses li um artigo sobre como tornar uma Leica (qualquer Leica e apenas Leica) num professor no ‘the online photographer‘ – e as suas sequelas: ‘porquê uma Leica‘ e ‘variações de um tema‘ – reconheço que não lhe prestei muita atenção; li e apreendi o conceito mas toda a mística à volta do nome Leica não me levou a profundar o tema.
Mas 2010 está ai e quando comecei a procurar formas de melhorar composição e grafismo lembrei-me dos artigos e apenas uns segundos depois – maravilhas da rede global e do Google – estava de novo a ler os mesmos.

O que também me despertou para este projecto foi o início de uma colecção e de um momento para o outro tenho na minha mão uma Nikon F3 (1980) em excelente estado e a funcionar razoavelmente para a idade. Adquirida através do eBay, usada e através de vendedor/loja com alguma confiança.
Mas a F3 interessou-me (a F3 na Camerapedia e no Camera Site), não só pelo legado histórico, mas pelas possiblidades de uso; uma máquina pequena, leve e inteiramente mecânica (bem, não inteiramente mas funciona com uma pilha botão e pode em caso de avaria ser disparada com um pequeno manípulo que tem). Isso e o facto de que tenho em casa uma caixa de filme Kodak Tri-X guardada no frigorífico à espera de dias melhores. E de repente encontro-me a ler os artigos no ‘the online photographer’ não com um interesse pelas Leicas mas pelo projecto em si.

E o projecto é simples e rápido de descrever: um ano, uma câmara e um filme. O objectivo também é simples: aprender a ‘ver’, disparar o máximo de rolos, revelar, visualizar e aprender a reconhecer formas e a luz.
No meu caso a Leica é substituída por uma Nikon F3 mas tudo o resto se mantém, vou usar uma lente 28/f2.8 que andava cá por casa e que já esteve para ser vendida e vou usar o filme Kodak Tri-X 400ASA. Também já sei que projecto vou efectuar com o conjunto e será algo muito fora do meu habitual mas mais detalhes ficam para depois de ter o projecto pronto…
Posso adiantar que se trata de um projecto de rua, longe dos campos e montanhas idílicas que costumo percorrer, será inteiramente feito em formato analógico para ser impresso em tamanho A4 e totalmente a preto&branco. Interessa-me particularmente o modo como vou concretizar esta ideia na película e como transmitir a mensagem que delineei de uma forma subtil. Será um desafio que me vai obrigar a sair da minha zona de conforto e isso só pode ser bom.

06
Out
09

(T)(S)er.

“What we do during our working hours determines what we have, what we do in our leisure hours determines what we are.”

George Eastman

É sempre uma discussão, esta do ser e do ter, interessante de debater com fotógrafos. Se por um lado a fotografia é arte por outro lado é inegável o lado técnico e tecnológico e perceber até que ponto cada um dos lados influencia o outro é uma discussão com possibilidades infinitas.
Será um fotógrafo cada vez melhor se tiver mais e melhor equipamento? Será a arte independente das ferramentas?

Acho que a questão central deste debate será sempre o de cada um ter as ferramentas necessárias para atingir os objectivos a que se propõe, aqui é que reside o problema de facto nos debates em torno dos equipamentos fotográficos, é que sem objectivos claros qualquer justificação serve para comprar uma nova máquina, uma nova lente ou uma nova impressora. Poder ter e manusear o melhor e mais recente equipamento, custe ele 1.000€ ou 10.000€, é uma justificação perfeitamente aceitável do ponto de vista da justificação da aquisição, do ponto de vista da utilização é fraca razão para o justificar e muitas vezes o Ter é mais forte do que o Ser. Resolver uma falta de inspiração ou tentar lutar contra a mesma empurrando o problema para a frente, gastando dinheiro numa nova lente que de repente vai resolver tudo é o caminho mais certo para ter uma excelente colecção de equipamento ao fim de uns anos mas também uma colecção impressionante de fotografias medianas…

Um fotógrafo, dizem que eu não tenho assim tanta certeza, fotografa com qualquer coisa nem que seja um pinhole feita com uma lata. Talvez. Mas um fotógrafo sentado numa margem de um rio à procura de fotografar uma garça real, chegaria a casa sem nada publicável e vendável.
Se as ferramentas não fazem o artesão, as ferramentas apropriadas fazem toda a diferença. Saber o que usar, quando o usar e porque o usar são apenas algumas das muitas decisões criativas que um fotógrafo tem que tomar. Um bom fotógrafo não compra uma lente (substituir por máquina, tripé, filme, o que melhor se adaptar a cada caso) que depois encaixa no seu método de trabalho, um bom fotógrafo compra uma nova lente porque para atingir determinado objectivo criativo precisa dessa lente.

Olhar, ver, sentir e fazer a fotografia são talvez as melhores ferramentas que os fotógrafos têm à sua disposição. Ter objectivos claros e bem definidos antes de carregar a mochila é meio caminho para fazer boas fotografias; trabalhar para um livro, uma exposição é trabalhar para um fim, sair e fazer algumas fotografias sem esse foco central é apenas trabalhar para o stock e nada mais. E o stock é algo que se mostra à família, aos amigos mas que dificilmente impressiona alguém fora desse círculo. Para atingir objectivos mais audazes temos que ser capazes de os impor a nós mesmos mas sobretudo ser capazes de os cumprir. Até ao fim. E sobretudo procurar não disfarçar a falta de objectivos com o excesso de equipamento.

20
Abr
09

galeria e fotoblogue.

A galeria mariovnova.com tem imagens novas. São o resultado de algumas das minhas últimas sessões e no projecto ‘new images’ foram colocadas três novas imagens.

Em relação ao fotoblogue vou mudar um pouco o rumo do mesmo dado que o formato actual não me estava a agradar particularmente, assim passa a ser não só um pequeno caderno de esboços fotográficos mas também um conjunto de apontamentos sobre as razões porque acho que as fotografias que lá estão são apenas degraus até chegar às boas fotografias. Espero assim criar um pequeno espaço de debate muito interessante sobre a diferença entre uma fotografia razoavél e uma boa fotografia. Estejam atentos…

23
Mar
09

estatística de um sábado em bertiandos.

180 quilómetros
± 10€ de gasóleo
3 barras de cereais
2 baguetes
0,75cl de chá Pu-ehr
1 maçã
495 fotografias
2 panorâmicas
despertar às 6:20
deitar às 24:00
chegada a bertiandos: 9:00
saída de bertiandos: 18:40
hora da primeira foto: 09:55
hora da última foto: 18:14
metereologia: de manhã frio, chuviscos e nevoeiro; de tarde sol e boa temperatura.




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