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	<title>o elogio da sombra &#187; Portugal</title>
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		<title>o elogio da sombra &#187; Portugal</title>
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		<title>Um país falido&#8230;</title>
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		<pubDate>Sun, 10 Apr 2011 20:30:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mário venda nova</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pela segunda vez num curto espaço de tempo interrompo uma curta pausa aqui no blogue para escrever sobre o tsunami económico que desta vez se prepara para se abater sobre Portugal. A primeira vez foi em 11/11/2010 num artigo intitulado &#8220;um país à espera de falir&#8230;&#8221; onde, sumariamente, expliquei para onde nos levava o caminho [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oelogiodasombra.com&amp;blog=2898401&amp;post=8614&amp;subd=mariovnova&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pela segunda vez num curto espaço de tempo interrompo uma curta pausa aqui no blogue para escrever sobre o <em>tsunami</em> económico que desta vez se prepara para se abater sobre Portugal. A primeira vez foi em 11/11/2010 num artigo intitulado &#8220;<a href="http://oelogiodasombra.com/2010/11/11/um-pais-a-espera-de-falir/">um país à espera de falir&#8230;</a>&#8221; onde, sumariamente, expliquei para onde nos levava o caminho que estava a ser trilhado economicamente: a falência. Hoje cinco meses depois é exactamente aí que nos encontramos, na bancarrota, no descrédito total e de mão estendida aos nossos parceiros da Europa.</p>
<p>Depois do <em>bailout</em> à Grécia e à Irlanda e respectivos pacotes de ajuda desenganem-se aqueles que acham que vamos apenas passar um mau bocado e que nos safamos ao PEC IV, <a href="http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&amp;id=478497">o presidente da Ecofin  já declarou</a> que as medidas a adoptar serão piores que esse PEC. As notícias no ar já anunciam um pequeno desastre, <a href="http://economico.sapo.pt/noticias/bancos-lancam-campanhas-para-escoar-imoveis_115238.html">as campanhas de &#8220;saldos&#8221; de imóveis pela banca</a> é uma mas os recados de Bruxelas são óbvios: <a href="http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&amp;id=478537">Portugal vai ter que apertar dolorosamente o cinto</a>. Mas o que temos pela frente e como chegamos aqui?</p>
<p>1) Começo pelo fim: chegamos aqui pela incomptetência pura de não conseguirmos controlar um estado que tudo consome, que suga a economia, um estado cujo tamanho e apetite é colossal. Mas também pela incapacidade de gerir as nossas vidas particulares, de deixarmos de lado hábitos de poupança, um exemplo talves para se relativizar isto: por cada 100€ que um português pede emprestado, 87€ vêm de fora, ou seja apenas 13€ são provenientes das poupanças dos portugueses. Número esmagador e brutal, 87€ em cada 100€, é um espanto como isto não descarrilou mais cedo. Deixamos de lado hábitos de cidadania como o voto &#8211; a abstenção nas últimas eleições presidênciais é demonstrativa disso: 57%  &#8211; e em consequência perdemos qualidade de governação, preferimos os paraísos tropicais por troca de qualidade de vida (lembro-me de há cerca de cinco anos a SIC ter entrevistado alguém em plena praia no Brasil e às tantas o entrevistador, com a crise em pano de fundo, pergunta como o entrevistado tinha dinheiro para pagar as férias, resposta pronta: quando chegar a casa não pago a luz ou a água, logo se vê, agora quero é estar aqui), preferimos ser pobres mas com carro e casa cujas prestações nos esganam e nos empurram para as compras com o cartãozinho de crédito.<br />
A notícia que refiro acima de que os bancos estão a saldar as suas carteiras de imóveis é o sinal de que estamos com um <em>sub-prime</em> cá e que muito do nosso crescimento foi à custa (e isto não é só um mal português) de uma bolha de imobiliário que se prepara para rebentar. Cobrir o país de betão e alcatrão foi giro por uns tempos mas a factura chegou e tem data de pagamento apertada. É também sinal de outro problema: que se calhar o crédito mal-parado tem sido mascarado à custa da incorporação dos imóveis nas carteiras de activos dos bancos, em vez do cliente entrar em <em>default</em> puro o banco compra-lhe a casa pelo preço da dívida e assim o banco livra-se tecnicamente do <em>default</em> do cliente e este livra-se da casa que não pode pagar nem consegue vender. Imaginem isto multiplicado à escala nacional e façam contas do que isto vai fazer ao mercado imobiliário&#8230;<br />
Um estado papão, de compadrios e <em>jobs for the boys</em>, de ex-ministros que depois de deixarem o governo são admitidos em empresas com que realizaram contractos enquanto ministros, auto-estradas essenciais para circularem cerca de 20 veículos por dia, um sem fim de loucuras financeiras, as PPP que mais não são do que pôr os contribuintes todos a pagar por algo que apenas os utilizadores deveriam pagar e feitas à medida de trâfego/número de doentes/passageiros absolutamente irreais e que o nosso estado aceita sem reclamar, sem discutir, sem negociar&#8230;<br />
E depois disto tudo o surrealismo supremo: eleições. No estado em que já estavamos o <em>timing</em> foi absolutamente estúpido. Entenda-se que depois do PEC IV até ao V seria apenas uma questão de tempo mas seria tempo que se ganhava sem dar esta triste sensação de que neste país se faz juz ao ditado que &#8220;em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão&#8221;. Nas horas a seguir ao chumbo do PEC ler a imprensa estrangeira foi confrangedor, ficamos carimbados como uma cambada de lunáticos que em vez de resolver os problemas andam à chapada uns aos outros. Estes portugueses são loucos diria o Astérix.</p>
<p>2) Para onde vamos? Arrisco que para um pântano de onde vamos demorar anos a sair, atolados de dívidas (números não-oficiais estimam que a dívida combinada estado/particulares já está nos 125 a 130% do PIB), com a economia em recessão e a não conseguir criar empregos, impostos altos, euribor a subir, tudo somado para transformar, na melhor das hipóteses, os próximos anos num pequeno inferno. Na terça-feira chega cá a primeira comitiva FMI/EU/BCE para avaliar o real estado das nossas finanças públicas que irá avaliar como e onde se vai cortar e quanto. Talvez seja da minha natureza pessimista mas acho que vamos por um caminho em tudo idêntico ao da Grécia: cortes imediatos de 10 a 15% nos salários na função pública (e se isto não &#8220;corrigir&#8221; daqui a uma ano serão as empresas privadas a fazer o mesmo para sobreviver), não pagamento do subsídio de férias e/ou natal, despedimento de alguns funcionários públicos, extinção de serviços, nomeadamente autarquias e juntas de freguesia, levando ao emagrecimento do estado e ao pagamento das nossas dívidas aos nossos credores. É isso que eles vêm cá fazer: assegurar aos nossos credores que vão receber, esqueçam tudo o resto, isso é o seu ponto focal, o seu objectivo, o de que Portugal vai honrar os compromissos que tem. Não trazem soluções para a economia crescer, não trazem empregos, impostos mais baixos nem combustíveis mais baratos, nada disso, trazem na mala dinheiro para pagarmos compromissos já assumidos e a assumir, a juros mais baixos e em troca querem medidas que assegurem que vão receber o seu investimento de volta. Vão tentar evitar por todos os meios uma reestruturação da dívida e que os credores recebam os juros chorudos que nos têm cobrado, ao mesmo tempo o FMI dá como dado adquirido a falência de Portugal e ada Grécia. É engraçado (de uma forma triste) perceber que vamos saltar da frigideira para o fogo e que estamos sem outras opções&#8230;<br />
Lojas vão fechar às catadupas, empresas vão falir, mais empregos vão desaparecer, o imobiliário vai entrar em colapso e os bancos vão passar um mau bocado. O dinheiro fácil acabou, a torneira fechou e só vai abrir para empresas sólidas com projectos viáveis. As empresas mais pequenas e com pior rating vão passar um mau bocado porque ninguém lhes vai financiar projectos e se financiarem será a preços incomportáveis. A festa acabou e de forma abrupta e brutal, no final desta operação de resgate vai existir uma geração, repito uma geração, que nunca conheceu um emprego estável, um ordenado compatível com a sua educação, uma vida normal e estável. Daqui a dez anos, no final desta crise, a geração que estará com a idade compreendida entre os 35 a 45 anos nunca teve o que a geração que hoje tem essa idade teve e isso é o mais trágico disto tudo, o desperdiçar de energias de uma geração inteira que estará eternamente à rasca, sempre no desenrasca, no fio da navalha, na insegurança e na esperança de um amanhã melhor que nunca lhes vamos conseguir proporcionar. Trágico. </p>
<p>Porém nem tudo é mau e depois desta travessia que nos aguarda temos uma tela em branco que só de nós depende como vai ser pintada: novamente em tons escuros ou desta vez em tons mais luminosos. Depende de nós encontra soluções que nos permitam crescer sustentavelmente, com rigor e com investimento em áreas produtivas e com capacidade de serem vendidas em contrapartida ao imobiliário, que a justiça seja finalmente justa e célere, que os impostos sejam equitativos, baixos e rigorosos, que esses impostos sejam empregues ao serviço de quem os paga e não ao serviço de quem paga as campanhas eleitorais, mas sobretudo uma política fiscal com planos a dez anos de forma às empresas poderem conhecer o que o futuro lhes reserva. Aos particulares pede-se o mesmo rigor, o mesmo planeamento de gastos e de produção que se pede ao estado. Se conseguirmos cumprir isto tudo já não era mau e os nossos sacrifícios teriam servido de alguma coisa. Algo me diz, o meu pessimismo de certeza, que depois dos três anos em vamos ter ajuda do FMI/EU vamos ter mais do mesmo, de crise em crise até a um novo bailout&#8230; Em 37 anos de democracia este é o terceiro <em>bailout</em> em que nos encontramos e isso quer dizer muito sobre os nossos hábitos enquanto país, como produtores, criadores de riqueza, gestores da coisa pública e privada. E como sabem há hábitos difíceis de abandonar e viver à custa dos <em>bailouts</em> pagos por países que se sacrificam para que outros se divirtam é um deles.<br />
Mas isso sou eu, Mário o pessimista, que espero que seja brutalmente desmentido pelos factos. Aliás tenho uma secreta esperança de que os factos me venham a desmentir e que este artigo seja apenas o resultado do velho do Restelo que ainda há em mim.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/mariovnova.wordpress.com/8614/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/mariovnova.wordpress.com/8614/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/mariovnova.wordpress.com/8614/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/mariovnova.wordpress.com/8614/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/mariovnova.wordpress.com/8614/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/mariovnova.wordpress.com/8614/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/mariovnova.wordpress.com/8614/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/mariovnova.wordpress.com/8614/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/mariovnova.wordpress.com/8614/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/mariovnova.wordpress.com/8614/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/mariovnova.wordpress.com/8614/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/mariovnova.wordpress.com/8614/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/mariovnova.wordpress.com/8614/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/mariovnova.wordpress.com/8614/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oelogiodasombra.com&amp;blog=2898401&amp;post=8614&amp;subd=mariovnova&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Um país à espera de falir</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Nov 2010 10:00:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mário venda nova</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não tenho escrito muito mas hoje apetece-me escrever e muito. É um facto que a palavra crise está na ordem do dia mas admira-me a surpresa de alguns comentários/comentadores sobre o estado do nosso país. Mas para explicar isso tenho que regressar a 1997&#8230; Se analisarmos o percurso português há um antes e um depois [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oelogiodasombra.com&amp;blog=2898401&amp;post=7394&amp;subd=mariovnova&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não tenho escrito muito mas hoje apetece-me escrever e muito.<br />
É um facto que a palavra crise está na ordem do dia mas admira-me a surpresa de alguns comentários/comentadores sobre o estado do nosso país. Mas para explicar isso tenho que regressar a 1997&#8230;</p>
<p>Se analisarmos o percurso português há um antes e um depois de 1997/1998, se pesquisarem bem verificam que foi a partir desses anos que os bancos nacionais começaram a indexar os empréstimos de crédito à habitação à euribor que por volta desse período rondariam os dois ou três por cento; depois de décadas a pagar crédito a taxas de 18 a 25 por cento (e acreditem que sou <em>desse</em> tempo&#8230;), com um consumo refreado exactamente por essas taxas o boom de aquisição de casa começou. Até aqui a história parece cor de rosa e de facto até era. Dinheiro barato, possibilidade de mudar de estilo de vida, ser proprietário, era um Eldorado à portuguesa mas que tinha inevitavelmente os dias contados&#8230;<br />
Primeiro por uma fatalidade do destino: tudo o que desce acaba por subir e em 1999 as taxas euribor começaram a subir com consequências para quem se endividou. Segundo porque se esqueceram de explicar que com o nível de poupança dos portugueses a dimunuir drasticamente o dinheiro que os bancos emprestavam tinha que vir de algum lado. Terceiro porque também se esqueceram de avisar que um país a endividar-se ao ritmo que o estava a fazer precisa de ter um crescimento económico que permita gerar riqueza para as pessoas cumprirem as suas dívidas. A conjugação destes três factores &#8211; sobreendividamento, taxas a subir e crescimento económico débil &#8211; foi pura e simplesmente o que nos trouxe até onde estamos hoje: um país à espera de falir.<br />
A explicação até parece simples: taxas baixas levam a um maior consumo, menos produção leva a mais importação que por sua vez leva a um desiquilíbrio da nossa balança comercial. Consome-se cá com dinheiro emprestado por bancos mas esse financiamento veio do exterior e consumimos bens produzidos maioritariamente no exterior, isto soa a desastre à espera de acontecer ou sou o único a pensar assim? É que nós já nem produzimos grande parte do que comemos o que para mim é uma pequena tragédia, basta ir a uma qualquer aldeia do interior para ficar com a ideia que temos 10 milhões de portugueses sentados à beira-mar. Isso também não é sustentável quer do ponto de vista urbanístico quer do ponto de vista social e em termos produtivos é o que se vê: campos agrícolas abandonados, pomares com fruta a cair pelo chão porque ninguém a apanha, matas a arder no verão porque ninguém as limpa, etc. Mas com uma política como a nossa quem pode culpar as pessoas de querer um pouco do Eldorado? Na hora de passar o cheque todos &#8211; estado, autarquias, segurança social &#8211; se esqueceram de inquirir quem o ia pagar. Bem a resposta está aí, à vista de todos&#8230;</p>
<p><em>Fast forward</em> para 2007&#8230;<br />
Portugal continua com crescimento débil &#8211; é inclusivé um dos países com menos crescimento na OCDE &#8211; está endividado até à raíz dos cabelos e precisa de refinanciar a sua dívida a cada dia que passa, em dez anos a dívida pública passa de 60% do PIB para cerca de 80% e eis que do outro lado do Atlântico uns <em>malandros</em> andaram a emprestar dinheiro que não tinham a pessoas que não podiam pagar, resultado: um dos maiores desastres financeiros da nossa história. E como desapareceram uns biliões em jogatinas de bolsa que mais pareciam de casino de repente a banca internacional percebeu que estava com um problema nas mãos: precisava de pagar as suas dívidas e por outro lado tinha nas mãos carteiras de investimentos a valer quase zero (e nalguns casos a valer mesmo zero), quando foram buscar os seus investimentos aos <em>malandros</em> perceberam que os seus milhões estavam nas mãos de pessoas sem rendimentos que compraram casas que hoje valiam muito menos do que tinham custado e que o mercado estava inundado de casas para vender devido ao incumprimento de quem as comprou. Isto teve dois resultados: uma redução drástica no dinheiro a circular e um aumento brutal das taxas de juro porque havia menos dinheiro a circular e mais bancos a precisar de dinheiro. Em Setembro de 2008 a euribor (seis meses) chega aos 5,178%&#8230; de repente os bancos deixaram de confiar uns nos outros. Só nesta altura a coisa começa a parecer suspeita e eis que chega ao mundo a crise do <em>subprime</em>, com bancos a perceberem que hedge funds e especuladores andaram a construir produtos para esses mesmos bancos com base em activos <em>subprime</em> e que ao mesmo tempo andavam a apostar na descida desses produtos. Enganados e à beira do colapso começou a debandada dos mercados, em Portugal a coisa estava a piorar mas o nosso governo assobiava para o ar dizendo que a crise iria passar ao nosso lado. Entretanto alguns não percebiam como seria isso possível sobretudo à luz das imensas restrições de crédito e das nossas necessidades de financiamento.<br />
Bancos começam a sentir-se desconfortáveis com as restrições de crédito e os <em>spreads</em> começam a subir, depois de anos a emprestar dinheiro com spreads absolutamente insustentáveis, a banca começa a entender (finalmente!) que tem que ser mais criteriosa e cobrar mais. É pena que não o tenha feito durante toda a década de 2000 a 2010, tinha-nos poupado alguns dissabores. No meio disto os primeiros sinais de alarme: BPN e BPP. O primeiro alvo de um resgate <em>in extremis</em> verdadeiramente desastroso e com consequências pesadas para os contribuintes e o segundo com uma dança de empurra a ver quem ficava com a batata quente até que o estado lhe prestou um aval de 450 milhões que no final não serviu para nada a não ser desbaratar essa quantia aos contribuintes. Mais uma vez o governo assobia para o lado e fala em risco sistémico para impedir a falência do BPN quando se sabia que o problema do BPN não era bem esse mas sim uma gestão ruinosa e danosa. Mas o contribuinte pagou e a crise estava longe, a um oceano de distância.</p>
<p><em>Leap foward</em> para 2010&#8230;<br />
Começamos 2010 a financiar a dívida pública a cerca de 4,4% a dez anos e estamos a acabar o ano a financiarmo-nos a 6,8% ou seja estamos a pagar cerca de mais 50%, o que passou para chegarmos aqui?<br />
Entra-se em 2010 depois de 2009 ter sido um ano de eleições, onde promessas que a crise já tinha passado e que Portugal tinha sido o país que melhor lhe tinha resisitido, 2009 foi assim um ano onde o governo deu largas à imaginação orçamental, baixou o iva para 20% e aumentou os salários em cerca de três por cento, tudo boas notícias, certo? Talvez não&#8230;<br />
A meio deste ano estourou a &#8220;bomba grega&#8221; e de repente a europa percebe que tem no seu seio problemas maiores do que o <em>subprime</em>, a Alemanha começa a ter grande contestação interna aos bailouts sucessivos de países que se têm furtado a um controlo orçamental com rigor, na Irlanda o estado intervém sucessivamente em bancos para evitar a sua falência, em Espanha rebenta a bolha imobiliária, em Inglaterra não há dinheiro&#8230;e em Portugal o défice é brutal. É o resultado natural de estarmos constantemente a consumir mais dez por cento do que produzimos, <em>bottom line</em>: estamos a viver acima das nossas posses. A europa está na fossa excepto uma pequena aldeia que resiste a tudo: a Alemanha que finaliza 2010 a crescer 3,7%.<br />
O mundo está numa encruzilhada, os EUA continuam a injectar biliões na economia que continua sem criar emprego mas que está a crescer muito devido ao consumo interno mas que está a aumentar as importações, o Japão não sai do vermelho e desceu para o terceiro lugar das maiores economias mundiais, os países emergentes estão a crescer a taxas fenomenais, a europa afunda. A tensão cresce à medida que os vários interesses entram em conflito &#8211; e que afirmo pode chocar algumas pessoas mas não deixa de ser menos real &#8211; sobretudo a situação da europa e os interesses da Alemanha, o euro está numa situação insustentável para as exportações alemãs e uma descida da moeda em face das dificuldades de alguns países até pode ser boa para esse objectivo, os EUA querem desvalorizar o dólar para tornar as exportações atraentes e os chineses não querem valorizar a sua moeda pela mesma razão; o problema é que para uma moeda descer uma outra precisa de subir, é inevitável. Mas ainda existe outra questão nos EUA, é que continuam a emitir papel como se o mundo acabasse amanhã na secreta esperança de que isso desvalorize ainda mais o dólar mas isso tem o lado preverso para quem compra dívida pública que de repente podem ver as suas carteiras de activos desvalorizar 15 ou 20% e isso pode ter um impacto forte na economia chinesa, principal comprador da dívida pública dos EUA e nos bancos que a compram.<br />
Portugal está só e abandonado no meio desta batalha de gigantes, a braços com uma dívida gigantesca, um défice brutal e a ameaça permanente de falta de financiamento. A europa hesita num novo <em>bailout</em> à Irlanda e a Portugal, sobretudo porque a opinião pública alemã &#8211; onde o dinheiro está &#8211; não o vai permitir facilmente. O orçamento passou mas os mercados não acalmaram e uma nova recessão está à porta com perda de poder de compra de grande parte da população, um desemprego galopante, uma economia frágil e um sistema político que não se entende entre pares. Os mercados não acreditam que Portugal consiga cumprir os objectivos a que se propõe e daí o massacre nas taxas, os bancos não se conseguem financiar excepto junto do BCE que lhes está a emprestar e o recente ajuste no rating dos bancos reflecte o que acabo de dizer. Esse ajuste não significa que os bancos estejam em má situção mas em face da conjuntura actual e prevísel para o curto prazo o risco é de facto maior; com uma economia em recessão, famílias com rendimentos inferiores o risco de <em>default</em> de empresas e particulares sobe e os bancos podem não ter estrutura para aguentar um aumento do incumprimento sem se financiarem fortemente mas como os mercados não estão abertos a isso e com o BCE a não poder aguentar para sempre esta situação de emprestar apenas com o colateral de dívida pública portuguesa como está a acontecer o aumento do risco é inevitável. Acresce a este factor de risco o facto de os bancos portugueses estarem muito expostos à dívida portuguesa&#8230;<br />
A isto acresce o facto da Alemanha quer impôr aos mercados a co-responsabilização em caso de <em>default</em> de algum país da zona euro ou seja se o <em>bailout</em> de um país falhar a europa não quer pagar e transfere essa responsabilidade para os credores, basicamente aí o risco tem que se aproximar do real em face do possível alheamento da europa em caso de incumprimento de um país.</p>
<p>De facto os próximos tempos serão de grandes dificuldades, empresas &#8211; sobretudo de bens não essenciais &#8211; irão falir, empregos vão continuar a ser destruídos mas no final de contas apenas nos podemos culpar a nós próprios e na nossa incapacidade de resistir ao consumo acima das nossas posses. Podemos e temos capacidade de ultrapassar esta situação? Mais uma vez dependemos de nós, é preciso mudar mentalidades, investir em capacidade produtiva e não em infraestruturas que não geram exportação, é preciso que se investa em tecnologia, em desenvolvimento, em produtos de qualidade como o têxtil e calçado de topo e começarmos a pensar nos emergentes como mercados com grande apetência para o luxo. Abandonar hábitos de crédito e regressar ao hábito de poupar e sobretudo poupar para depois poder consumir. Temos um país fantástico com uma excelente capacidade de receber e que pode ser um destino de turismo de excelência, investir no ecoturismo num país como Portugal será uma aposta inteligente.<br />
Mas temos que estar preparados para pegar numa enxada e ir produzir os nossos alimentos porque caso se falhe a execução orçamental como falharam os PECs sucessivos estamos no bom caminho para nos deixarem cair, sobretudo se a Alemanha se recusar a financiar países que não cumprem as metas orçamentais impostas pela EU. O FMI não será grande solução porque as medidas que iria tomar não serão muito difertentes das que já estão anunciadas, excepto talvez o não pagamento do 13º mês e o corte generalizado de cerca de 15% em todos os salários.</p>
<p>Portugal está como um doente que poderá morrer da doença &#8211; défice brutal &#8211; ou da cura &#8211; orçamento 2011. Entre uma e outra morte a falência poderá estar já aí&#8230;ou talvez não, a nossa resposta será crucial para a definição do nosso futuro. </p>
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		<title>E assim vai a leitura em Portugal&#8230;</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Jul 2009 19:00:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mário venda nova</dc:creator>
				<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje, domingo, de manhã em frente a uma livraria conhecida em Sta Catarina. Um casal jovem, cerca de 35 anos, a ver a montra; ele descobre o anúncio do lançamento do novo livro de Miguel Sousa Tavares e diz: ele &#8211; este também anda metido nisto?! ela &#8211; uh? ele &#8211; nos livros, não fazia [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oelogiodasombra.com&amp;blog=2898401&amp;post=3681&amp;subd=mariovnova&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje, domingo, de manhã em frente a uma livraria conhecida em Sta Catarina. Um casal jovem, cerca de 35 anos, a ver a montra; ele descobre o anúncio do lançamento do novo livro de Miguel Sousa Tavares e diz:<br />
ele &#8211; este também anda metido nisto?!<br />
ela &#8211; uh?<br />
ele &#8211; nos livros, não fazia novelas?&#8230;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/mariovnova.wordpress.com/3681/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/mariovnova.wordpress.com/3681/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/mariovnova.wordpress.com/3681/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/mariovnova.wordpress.com/3681/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/mariovnova.wordpress.com/3681/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/mariovnova.wordpress.com/3681/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/mariovnova.wordpress.com/3681/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/mariovnova.wordpress.com/3681/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/mariovnova.wordpress.com/3681/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/mariovnova.wordpress.com/3681/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/mariovnova.wordpress.com/3681/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/mariovnova.wordpress.com/3681/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/mariovnova.wordpress.com/3681/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/mariovnova.wordpress.com/3681/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oelogiodasombra.com&amp;blog=2898401&amp;post=3681&amp;subd=mariovnova&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>estranha coincidência&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Mar 2009 02:00:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mário venda nova</dc:creator>
				<category><![CDATA[sobre o mundo/natureza]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2009]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>

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		<description><![CDATA[Na zona onde resido não existiram obras que se vissem desde as últimas autárquicas. Passeios por arranjar, uns buraquitos aqui e acolá e outras mazelas urbanas foram ficando por reparar. Mas desde a semana passada a maquinaria pesada está na rua, reparam-se ruas inteiras, mesmo correndo o risco de fechar duas ruas ao mesmo tempo, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oelogiodasombra.com&amp;blog=2898401&amp;post=2710&amp;subd=mariovnova&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na zona onde resido não existiram obras que se vissem desde as últimas autárquicas. Passeios por arranjar, uns buraquitos aqui e acolá e outras mazelas urbanas foram ficando por reparar. Mas desde a semana passada a maquinaria pesada está na rua, reparam-se ruas inteiras, mesmo correndo o risco de fechar duas ruas ao mesmo tempo, que por acaso até estão indicadas como &#8216;desvio&#8217; uma da outra (?!). É a febre das eleições e sabe-se que o povo tem memória curta e só tem capacidade de recordar uns poucos meses para trás.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/mariovnova.wordpress.com/2710/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/mariovnova.wordpress.com/2710/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/mariovnova.wordpress.com/2710/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/mariovnova.wordpress.com/2710/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/mariovnova.wordpress.com/2710/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/mariovnova.wordpress.com/2710/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/mariovnova.wordpress.com/2710/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/mariovnova.wordpress.com/2710/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/mariovnova.wordpress.com/2710/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/mariovnova.wordpress.com/2710/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/mariovnova.wordpress.com/2710/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/mariovnova.wordpress.com/2710/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/mariovnova.wordpress.com/2710/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/mariovnova.wordpress.com/2710/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oelogiodasombra.com&amp;blog=2898401&amp;post=2710&amp;subd=mariovnova&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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