O José Rui pediu-me recentemente para ‘ir fazer umas chapas’ na nova loja ‘Mundo Fantasma’ que está a surgir na Centro comercial Brasília, aqui no Porto. Não escondo o nervoso miudinho que o pedido me causou dado que conheço o Rui e o grau de exigência que põe em tudo, sobretudo nensta loja e depois porque as imagens não seriam só para consumo interno do próprio mas para exibir ao mundo através do blogue da loja.
Sou fã de arquitectura contemporânea mas a fotografia desta actividade nunca foi a minha especialidade e portanto é algo que está muito fora da minha zona de conforto mas encarei o desafio como um pequeno teste à minha capacidade de adaptação.

(vista geral da loja – tirada com uma objectiva olho-de-peixe)
Decidi usar a minha D200 juntamente com três ou quatro objectivas e um tripé. Chegado à loja encaro-me com um ambiente de obras com um chão cheio de pó e de materiais de construção, definitivamente encostei o tripé e decidi fazer o trabalho de máquina na mão. Foi um gesto inesperado sobretudo porque considero a performance da D200 acima dos 400 ISO como menos boa e a pouca luz do espaço ia-me obrigar a trabalhar a ISO elevados mas mesmo nestas condições não houve necessidade de subir acima dos 400 e o ruído ficou controlado. Outra situação que me preocupava era o balanço dos brancos e aqui a surpresa foi boa: a D200 revelou-se excelente neste campo mesmo com uma mistura de luz natural e artificial, não tendo recorrido a medições personalizadas e trabalhei sempre em Auto WB.

(vista da zona de escritório onde existe uma janela e a iluminação é efectuada por lâmpadas fluorescentes)
No global foi uma boa experiência, o Rui deu-me liberdade criativa e apesar de todos os constrangimentos – de tempo, de iluminação e de espaço – gostei de executar este trabalho.
Agora como nota final gostaria de dizer algo mais sobre este espaço e em particular sobre a galeria (cujas fotos deixei de propósito para o final).

(futura galeria)
Todos sabemos que estamos em plena época de crise (infelizmente algo que se ouve neste país à tempo demais…) e o Rui fez uma aposta a todos os níveis arriscada: decidiu abrir uma galeria especializada em banda desenhada. Se a fotografia é um nicho em Portugal, a ilustração de BD é um nicho dentro de outro nicho e fazer algo assim requer iniciativa e uma certa apetência para o risco. O Rui, e restante equipa, tem uma larga experiência acerca da BD e por isso sei que calculou todos os ângulos desta obra mas revela uma visão larga das coisas e sobretudo a vontade de expandir um mercado onde muitos reclamam que não há mercado. Apesar da galeria não ser muito grande tem um espaço muito generoso, bem iluminado e vai ser interessante assistir ao início deste projecto. Aguardo sobretudo a programação do espaço mas pelo que me apercebo será interessante pela divulgação não só de nomes consagrados mas também em nomes emergentes, nacionais e internacionais.

(outra vista da galeria)
Falta no Porto alguém disposto a fazer o mesmo pela fotografia, sem medo de arriscar e com capacidade de levantar um projecto destes. Não nos vamos enganar porque este projecto está integrado numa loja e portanto é uma excelente ideia para uma loja de fotografia que esteja disposta a complementar o negócio com a arte; e é algo que faz todo o sentido:os clientes compram o equipamento e encontram boa fotografia onde podem recolher inspiração para melhorar. A este nível falta inspiração aos nossos empresários, que bem podiam olhar para a FNAc que tem uma excelente programação, mas se calhar falta-lhes um pouco de coragem. É óbvio que algo deste género aplicado à fotografia tem que se pautar por critérios de programação que não passam só por uma questão de ter lá o espaço para os clientes exporem à medida do que aparece, precisa de uma programação, de selecção do que vai para as paredes e coragem de dizer não. Se tudo o que aparece é exposto então não há critério e deixa de ter interesse, com uma boa selecção, com uma ou duas exposições colectivas com fotografias dos clientes para agradar a todos mas com exposições regulares de fotógrafos que possam gerar movimento e arrastar pessoas à galeria/loja parece-me uma excelente ideia. E haverá alguém no Porto disposto a fazer a aposta? Espero bem que sim, sugestões e ideias podem vir via o ‘contacto’ lá encima na barra das ferramentas, tratarei de as encaminhar. E já agora falem nisto na vossa loja, talvez desperte as capacidades adormecidas de alguém…