João Nunes da Silva é um dos nossos fotógrafos de natureza mais reconhecidos, dentro e fora de Portugal. Com uma carreira invejável, começou a sua actividade ainda era membro da Quercus, de que é aliás fundador, tendo optado por se tornar fotógrafo free-lancer em 1991. Criou a Ilustranatur, um banco de imagens dedicado a imagens de natureza. As suas fotografias têm aparecido em diversas publicações como a BBC Wildlife, Rotas & Destinos, Volta ao Mundo, National Geographic (Portugal) e Foto Digital, entre outras.
Tem dois livros publicados, “Aveiro Natural” e “O Tejo do estuário”e colaborado em vários. Actualmente prepara um novo trabalho sobre Portugal.
O seu percurso passa por ter sido um dos fundadores da Quercus até à fotografia como freelancer. Como efectuou este percurso? E qual a razão deste percurso?
Desde muito jovem que tinha uma enorme paixão pela Conservação da Natureza. Com a fundação da Quercus em 1985, passei a ter um grande envolvimento com diversas questões relacionadas com a conservação de algumas espécies como a cegonha-branca, abutres, etc. Ao fim de algum tempo o meu interesse passou também pelo seu registo (fotográfico), e aí as coisas foram evoluindo devagar, fotografando cada vez mais aspectos naturais da fauna e flora portuguesas. Iniciei igualmente uma série de viagens por áreas naturais europeias. Ao fim de alguns anos achei que era oportuno dar a conhecer o banco de imagens de imagens naturais que tinha criado e fundei a ILUSTRANATUR, uma empresa vocacionada para a comercialização e divulgação de imagens de Natureza. A par com isso iniciei a minha colaboração regular com algumas publicações na área das viagens onde escrevia sobre áreas naturais, fauna e flora.
Como defensor da conservação da natureza como vê o estado da mesma em Portugal? E como pode a fotografia ajudar na conservação da natureza?
Penso que apesar de tudo muita coisa tem melhorado em Portugal. As pessoas estão mais sensíveis e bastante mais interessadas por aspectos relacionados com a conservação do património natural, o que é muito positivo. Infelizmente vivemos num país com fracos recursos financeiros para apostar fortemente na conservação das nossas “relíquias” naturais. Muitas vezes projectos turísticos com objectivos meramente especulativos, continuam a ser responsáveis pela enorme pressão sobre as nossas áreas protegidas. A fotografia e o fotógrafo de Natureza tem um papel importantíssimo na promoção e salvaguarda desse património natural e também na denúncia dos atentados que cometem contra ele. Sei por experiência própria que vários artigos que produzi para diversas publicações tiveram um papel importante na promoção e salvaguarda de algumas zonas naturais. Foi uma maneira das pessoas conhecerem essas zonas, e a importância que elas têm para diversas espécies animais e vegetais.
A fotografia de natureza é uma disciplina exigente. Que conselho dá aos frequentadores dos seus Foto Tours?
É bastante exigente, sobretudo porque um fotógrafo de Natureza tem de conhecer bastante bem a biologia daquilo que quer fotografar (sobretudo quando se tratam de espécies de fauna). É necessário muito trabalho de campo, pesquisa e horas de espera em abrigos, muitas vezes sem se obter os resultados desejados. O sistema digital veio dar uma boa ajuda no nosso trabalho, já que podemos antever os resultados e saber se são os esperados. Os Foto Tours são um excelente meio para uma aprendizagem mais rápida e eficáz, já que os participantes podem aprender no terreno alguns dos nossos métodos de trabalho para obter os melhores resultados. São também um magnífico meio de convívio e troca de experiências.
O que define, na sua opinião, uma boa fotografia de natureza e que a faz destacar de entre todas as outras?
Isso depende e varia de observador para observador. Agora o que posso dizer é que uma imagem boa imagem de Natureza destaca-se de outra por factores tão importantes como luz, enquadramento, cor, definição e o próprio tema fotografado.
Por fim, como vê o estado da fotografia actualmente, com o nascimento de novas tecnologias e a democratização que o digital trouxe, será a morte da fotografia como arte?
Claro que não! Agora a competitividade aumentou uma vez que hoje em dia toda a gente fotografa. O digital é apenas mais uma evolução tecnológica, como as máquinas que foram evoluindo ao longo dos anos. tempos. No entanto muitos novos utilizadores, ainda não se convenceram é que com o sistema digital também temos que ser rigorosos a conseguir uma boa imagem como quando utilizávamos filme. Muitos iludem-se ao pensar que uma má imagem depois pode ser manipulada digitalmente e se transforma numa boa imagem. Isto é uma autentica falsidade e eu sou totalmente contra este tipo de manipulação digital.

© João Nunes da Silva
Website de João Nunes da Silva.
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João Nunes da Silva is one of the most known portuguese photographers. He has a brilliant career, started his activity while he was a member of Quercus and in 1981 he finally started a career as a free-lancer. He is also the founder of Ilustranatur, a portuguese stock agency, dedicated to nature photography. João Nunes da Silva have photographs published in a large number of magazine like BBC Wildlife, Rotas & Destinos, Volta ao Mundo, National Geographic (Portugal) and Foto Digital, among others.
He is the author of two books, “Aveiro Natural” and “O Tejo do estuário”.
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