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24
Mar
09

o estado da fotografia.

Um dos pensamentos que me assalta nestes últimos tempos é saber como é que a crise que atravessamos afecta a produção fotográfica. Em tempos de crise é natural que o espírito criativo se desenvolva, a procura de soluções fora do comum para problemas fora do comum obriga a que seja necessário pensar para além do óbvio e do conhecido.
Hoje os fotógrafos gerem a sua carreira como um negócio, tomam decisões de gestão como uma qualquer empresa e numa época de crise têm a sua atenção virada para a sua sobrevivência. Haverá ainda espírito para criar obras de arte?

O fotógrafo vê-se confrontado com várias decisões de sobrevivência de negócio e tem que produzir algo que o mantenha acima da concorrência, tarefa árdua sabendo que, por exemplo, hoje a concorrência de um fotógrafo é praticamente toda a gente com uma câmara na mão.
As publicações para cortar custos despedem os fotógrafos residentes e desatam a contratar freelancers que trabalham mais recebendo menos. A tragédia desta situação é que os referidos freelancers estão apenas a enterrar o mercado de que tanto precisam para sobreviver, ao aceitar receber menos e com menos direitos dificilmente chegarão à posição dos colegas que substituiram e, pior do que isso, são encarados como descartáveis ao primeiro sinal de crise. Sem laços fortes que os liguem aos editores de imagem são carne para canhão, ninguém os conhece e ninguém se importa. Ninguém se importa também que se vá buscar gente acabadinha de tirar um curso e sem tarimba, em muitos casos servem apenas para cobrir algo que não é possível comprar numa agência de microstock ou a um banco de imagem. Assim é difícil ser criativo…

O mui apregoado lema de fazer de cada um de nós o repórter no local do acontecimento pode ser bom para despoletar a cobertura desse acontecimento mas não pode ser a cobertura em si, o Zé no terreno desconhece conceitos de ética do que deve ser, ou não, captado. Qualquer dia arriscamo-nos a que as câmaras comecem a surgir apontadas indiscriminadamente a mortos e feridos em grandes planos dignos de um filme série B, pronto a ser exibido no Fantas. Aqui os limites éticos não podem ser deixados ao critério de quem está com a câmara na mão e não sabe o que fazer nem foi treinado para o fazer, nem tem a ver com conceitos estéticos, tem apenas a ver com o estrito critério moral do que é correcto. Arriscamo-nos a que apareça um novo tipo de paparazzo, aquele que de câmara na mão apenas espera o acidente ou a desgraça alheia para assim tentar a sorte e ter os seus quinze minutos de fama. Felizmente ainda tem havido algum bom senso por parte dos jornais e tv’s e ainda não se generalizou a divulgação de imagens cuja captura seja moral e eticamente questionáveis, mas de facto o risco existe e deve ser acautelado. E o risco só pode ser minimizado se quem está no campo tem a formação que lhe permita tomar essa decisão conscientemente: o repórter. Daqui se depreende que despedir repórteres pode minimizar os impactos da crise mas tem impactos profundos na forma como as notícias são captadas e, indirectamente, na qualidade dos meios que veiculam essas notícias.

No campo da fine-art a coisa complica-se, hoje coloca-se à venda uma obra de arte na internet por preços inacreditáveis, veja-se por exemplo o Yellow Corner da Fnac que vende fotografias 40×50 a 60€ com moldura. Pergunto o que se compra quando se compra Yellow Corner? Arte a metro, de bons artistas é certo, mas não deixa de ser arte impressa aos milhares (estamos no campo das open editions, onde apenas os formatos superiores a 60×75 são limitados) o que desgasta logo à partida o conceito de arte barata porque passa a ter o conceito das ‘obras’ vendidas no Ikea ou no Continente ou seja é bonito para pendurar na parede e pouco mais. Interessante é o conceito do 20×200 onde à partida se sabe quantos exemplares existem ou por exemplo o caso da Galeria Mundo Fantasma que faz edições de ilustradores muito interessantes, com bons preços e edições fechadas.
Mesmo argumentando que uma edição Lamba tem mais qualidade que uma impressão inkjet, e que a tem não há margem para dúvidas, mesmo assim os fotógrafos que lá estão têm mais lucro em imprimir em casa, controlar a cadeia toda e assim ganhar mais; têm é mais trabalho mas sem trabalho também não se chega a lado nenhum.
Por outro lado são artistas com uma carreira em estágio inicial e que poderão ganhar alguma exposição junto do público com esta parceria. Mas falta determinar qual é o público alvo da Fnac – e não dos artistas – para se avaliar a validade de tal associação, sem querer fazer tal avaliação de ânimo leve, eu diria que o público alvo da Fnac é tudo menos o público que vai à procura de fotografia, da sua carteira a Fnac terá 2-5% desse público? Porque vamos ser francos a Fnac não é conhecida por vender boas obras de arte mas sim por vender livros e aparelhos de electrónica a bons preços. Reparem que a Mundo Fantasma é uma livraria de BD mas que conheçe o mercado especializado e assim tem uma posição priveligiada para gerir a sua galeria dedicada exactamente a essa arte. É diferente de vender livros a metro e dvd’s a bom preço e de repente começar a vender obras de arte fotográficas. Arrisco-me a dizer que é um conceito diametralmente oposto.

Entenda-se já que sou a favor de boa arte a preços acessíveis, essa é a sobrevivência daqueles que não chegam às galerias e que tendo um trabalho notável o divulgam e comercializam por conta própria. Mas sou a favor de uma divulgação sustentada pelo próprio fotógrafo dirigida a público específico e depois a exposição em espaços que se concentrem na divulgação da fotografia. Atentem no caso da loja Monochrom em Berlim que ao negócio de material fotográfico juntou uma galeria que tem mostrado trabalho e boa fotografia (basta analisar o historial da galeria).

Em Portugal ainda faltam iniciativas deste cariz mas talvez estes surjam mais cedo ou mais tarde, será apenas uma questão de tempo. Porque em tempo de crise é necessário que os fotógrafos encontrem o público certo para não desperdiçar energias a ‘falar’ com quem não os entende, o sucesso depende também dos parceiros que escolhem e do seu conhecimentos do ramo. Para se sobreviver é preciso ser criativo, produzir boas fotografias mas particularmente procurar sinergias que lhes tragam novos públicos interessados em fotografia. É óbvio que não se podem ‘converter’ todos mas nesta altura é mais fácil conquistar um público que à partida tem uma certa apetência pela fotografia do que conquistar novos públicos sem essa apetência. A formação de novos públicos é algo que virá com o tempo e com o habito de ver fotografia.

Nota final: ainda existem fotógrafos capazes de dar algo seu, entenda-se trabalho, em troca de nada; veja-se o exemplo do Scott Streble que vai fazer retratos para gente desempregada usar nos seus CV’s a troca de nada. Espera ele que no retorno da economia alguns dos retratados se lembrem da sua ajuda e por sua vez o ajudem. Mas o facto de ser gratuíto não significa que é mau, apenas é um serviço prestado com a qualidade habitual com uma forma prevista de pagamento diferida no tempo.

18
Dez
08

Cabaz de natal.

Em colaboração com a loja Colorfoto trago-vos hoje um cabaz com vários itens para meterem no sapatinho do fotógrafo lá de casa ou da família. Há prendas para vários preços e tamanhos, portanto abrange vários tipos de bolsa e de fotógrafos. Boas compras!

Canon Powershot G10
A compacta do momento, pequena, com excelentes capacidades e boa qualidade de imagem. A lente tem um alcance limitado mas nas mãos de um fotógrafo experiente a máquina produz resultados de qualidade superlativa. É a minha prenda de sonho e espero ter uma na mão para poder publicar um teste dentro em breve.

Colorvision Spyder3 elite
Um excelente calibrador de ecrã de qualidade absoluta. Eu pessoalmente uso um, tem capacidade de calibrar até dois monitores em simultâneo, pode ser programado para emitir um aviso caso o(s) monitor(es) fiquem descalibrados e é a ferramente essencial em edição de imagem. Essencial para fotógrafos exigentes e que exigem um workflow calibrado.

Flash Canon 580EX / Flash Nikon SB900
Dois flashes de topo para fotógrafos expert. O topo da gama das respectivas marcas, capazes de proporcionarem iluminação criativa e de qualidade.

Leitor multimédia Epson P7000
A prenda ideal para fotógrafos que passam muito tempo fora a fotografar e que por motivos vários não podem andar com um portátil às costas. Permite visualizar quase todos os formatos RAW e tem um disco de 160Gb. O monitor tem cerca de 10 cm de tamanho e usa a tecnologia PictBridge que lhe permite imprimir sem estar ligado a um computador.

Artic Butterfly 724
Uma ferramenta para limpar os sensores das câmaras digitais e é considerado por muitos a melhor na sua especialidade. Pessoalmente tenho o modelo abaixo e funciona muito bem, recomendado para pessoas que necessitam de limpar o sensor com frequência em conjunto com as espátulas e o líquido de limpeza da mesma marca.

Tripé Manfrotto 190XPROB + rótula 804RC2
Excelente escolha em tripés a Manfrotto sempre conseguiu fazer produtos com boa tecnologia a bom preço. Este é um tripé em polímero (Adapto) mais leve que o alumínio e a cabeça é uma cabeça de três eixos com outros tantos manípulos. Uma excelente escolha e óptima relação preço/qualidade, para obter mais e melhor é preciso gastar 3x mais para reduzir 200 ou 300 gramas…

30
Abr
08

As últimas fotografias do jardim…

São as últimas fotografias da minha visita ao jardim do José Rui Fernandes. Uma tarde passada a fotografar é sempre uma tarde bem passada. Mas as férias já se foram e agora é tempo de regressar ao trabalho e voltar a fotografar apenas ao fim de semana; nada mal, é preciso ganhar a vida.
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Mais uma vez as fotografias têm uns retoques mínimos no Aperture (níveis/sharpening/exposição) e foi o único dia dessa semana de férias em que fotografei, nos outros choveu a cântaros, infelizmente.
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Neste dia as abelhas decidiram aparecer nas lavandulas e consegui umas boas fotografias macro.

25
Abr
08

As fotografias da minha visita (pt. 2).

Aqui estão mais duas fotografias que fiz no quintal do José Rui, quando da visita desta semana.

Esta primeira chamou-me a atenção pela disposição das folhas no rebento, reparem como elas constroem várias diagonais e parece que irradiam do centro. Como as anteriores, esta fotografia tem um edição mínima, apenas ajuste nos níveis, no sharpening e na exposição. Também usei nesta fotografia a medição personalizada dos brancos e faz toda a diferença, para isso usei um Lastolite EzyBalance – pode ser adquirido nas boas casas de fotografia por cerca de 40€.
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A segunda imagem é uma abelha nas Lavandulas e é uma versão ligeiramente diferente da que publiquei no ‘Quinta do Sargaçal‘. Mais uma vez editada no Aperture, com ajustes mínimos.
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24
Abr
08

Fotografias da minha visita.

Aqui estão algumas fotos da minha visita ao jardim do José Rui, algumas já publicadas no ‘Quinta do Sargaçal‘, acho-as muito interessantes e têm o seu lugar no meu portfolio.

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O que me agrada nesta imagem são as diagonais criadas pela flor e pela abelha, é uma composição simples e eficaz. A fotografia tem um tratamento digital minímo no Aperture (crop/edge sharpen/levels).

A segunda fotografia foi feita no mesmo local mas de um ângulo diferente. Era impressionante ver o número de abelhas que andavam à volta destas hastes de Lavandula e que nos proporcionaram umas horas bem passadas. Mais uma vez a imagem tem uns pequenos ajustes no Aperture, basicamente os mesmos da imagem anterior, o que significa que os novos ajustes da D200 estão a cumprir na perfeição; aliás arrisco-me a dizer que apenas o full-frame me faria mudar de máquina.

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Esta última imagem (por hoje) é de uma flor de maracujá que eu desconhecia por completo. Arrisquei fazer a fotografia mesmo já com muito pouca luz e com algum vento, uma combinação letal, por isso liguei o estabilizador da objectiva e o flash fill-in. O resultado está à vista, é uma flor espectacular e o detalhe para um fotografia macro sem tripé está muito bom.

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14
Jan
08

Gerês – bloco de notas V.

pnpg005-1É bem capaz de ser um dos segredos mais bem guardados do PNPG, toda esta zona que vai da barragem da Caniçada até Pitões das Júnias. Uma natureza ainda bem preservada mas que neste outono quente sofreu bastante com os fogos; o planalto da Mourela tem fauna e flora para satisfazer os mais aventureiros que gostam de caminhar e fotografar.

Logo após chegar ao parque de estacionamento, junto ao cemitério, há que visitar o mosteiro de Pitões das Júnias e as suas ruínas.
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oeds1O mosteiro e a área envolvente são espectaculares e a paisagem não lhes fica atrás. O caminho desde o parque de estacionamento até ao mosteiro faz-se com relativa facilidade, embora seja uma descida/subida íngreme, mas a sua curta distância permite fazê-lo sem problemas de maior. Existe um outro caminho pelo outro lado, devidamente assinalado mas não me parece que seja muito diferente em termos de dificuldade, é mais uma hipótese. Ao lado do mosteiro corre um pequeno ribeiro que mais à frente se vai despenhar numa cascata imponente.

É aqui que o caminho para a cascata e para o mosterio bifurca, para a direita e por um caminho que parece à primeira vista tão fácil como o para o mosteiro segue-se para a cascata. O caminho é no princípio, fácil de percorrer mas passados algumas dezenas de metros começa o verdadeiro trekking: íngreme e interminável. A descida faz-se por um caminho de pedra solta e exigente, bom calçado é importante, e faz-se muito melhor quanto menor o calor; atinge-se depois uma zona de passadiços de madeira que por terem muitos degraus e pouco espaçados não é muito melhor do que o caminho anterior. E isto é a descida…

Mas quando chegamos ao fim, a vista vale todo o esforço. A cascata tem uma altura imponente e depois das chuvas de inverno está na sua força máxima, e esta é a vista do pequeno estrado onde termina o caminho, e mesmo sem uma boa máquina (lembrem-se que isto é um bloco de notas, uma moleskine electrónica se quiserem) vê-se que a cascata é dislumbrante. Neste dia (aliás como sempre que vou tirar apontamentos) levei os binóculos e pude ver com algum alcance a cascata. Mas para fotografar e dado o tipo de caminho, aconselho que viagem leves por isso um tripé, máquina e um bom zoom 70-200/2.8 são suficientes para trazer para casa boas fotografias. Acrescente-se a isto um cabo disparador, um filtro ND, água e algumas barras energéticas.
oeds-1Se viajarem num grupo grande podem sempre pedir a alguém que vos transporte uma objectiva tipo 300/2.8 ou então levem um tele-conversor 1.4x, dá sempre jeito dado que a cascata ainda fica distante do parapeito. Atenção ao final do trilho, nas zonas abertas e sem parapeito, porque os penhascos estão cobertos por vegetação densa e a altura parece pequena mas na realidade é enorme.

Bom passeio e boas fotografias. E agora é altura de subir e fazer o caminho inverso, haja fôlego e pernas para aguentar a subida. Existe um pequeno ribeiro logo que termina a subida dos passadiços de madeira onde se podem refrescar.




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