Olhando para trás fico com uma sensação de que algo falta aqui neste blogue e na blogosfera portuguesa que se debruça sobre fotografia: reflexão. Afinal o que resta da espuma dos dias é o acto de reflexão e análise sobre determinado assunto, tudo o resto – apesar de ser informação – apenas remete para o ruído e para o esquecimento.
O problema é que no correr dos dias, na ânsia de estar em cima de toda e qualquer informação, que na hora parece vital, a reflexão é impossível. Ou talvez não… Apesar deste frenesim de informação existe espaço suficiente para deixar a poeira assentar e racionalizar sobre os temas que de facto são importantes ou essenciais para uma melhor percepção do estado actual da fotografia portuguesa. Existe um espaço para preencher nesse campo e ele deve ser preenchido porque no meu entender sem esse espaço de reflexão qualquer tentativa de entender a fotografia se revela difícil.
É verdade no que neste tempo facebookiano e twitteriano de pequenas mensagens de 100 a 300 caracteres, sem hiperligação logo sem possibilidade de sairem fora da rede onde foram publicadas, um texto um pouco mais longo – digamos 3000 ou 4000 caracteres – é um anacronismo sem apelo nem glamour, logo um candidato possível para o arquivo “das-coisas-que-irei-ler-um-dia-quando-tiver-um-intervalo-entre-a-refeição-do-gato-e-o-filme-das-10:30″. Mas a culpa não é só de quem lê mas em grande parte nossa – de quem publica sobre fotografia – porque nesse frenesim de publicar tudo como se o mundo dependesse misteriosamente da quantidade de posts publicados na rede nos esquecemos de que é preciso dar tempo a que os textos assentem e façam o seu papel: o de plantar no leitor o desejo de saber mais mas sobretudo o de desenvolver a sua linha de pensamento sobre o tema.
Para contradizer o que acabo de escrever este texto é pequeno mas serve para plantar em todos o que o leram o desejo de escreveram para além da espuma dos dias e que transformem os seus blogues em plataformas de discussão e de reflexão sobre fotografia. E eventualmente provar o meu próprio remédio e fazer eu próprio o mesmo. Ora aí está uma resolução para 2011 que é interessante, não acham?
