O Prémio de Fotojornalismo 2010 Estação de Imagem | Mora está em exposição no CPF no Porto. É uma excelente oportunidade de ver como está a fotografia de reportagem em Portugal e de ver alguns dos melhores trabalhos publicados no ano de 2010; é também a primeira edição do Prémio de Fotojornalismo e a segunda edição já tem as inscrições abertas.
Em relação à exposição o destaque vai para o trabalho brilhante de Paulo Pimenta, um fotógrafo com uma visão de reportagem e de composição fenomenal. Dizer que é um grande trabalho de reportagem é minimizar este conjunto. Tive o prazer de trabalhar na Galeria Colorfoto com o Paulo Pimenta e além de excelente fotógrafo, o Paulo é a todos os níveis uma pessoa extraordinária. Mas as imagens são de facto brilhantes, com excelente composição e estética mas sobretudo é um trabalho lúcido que reflecte bastante bem sobre o tema retratado – a desactivação da linha do Sabor – bem como toda a envolvente humana e paisagística.
O trabalho de Ricardo Meireles sobre S. João da Madeira, um trabalho introspectivo, distanciado mas ao mesmo tempo envolvente. Tem um carácter bastante contemporâneo, quase de autor e isso destaca-o pela positiva, tem a tranquilidade de um trabalho em grande-formato mas acrescento que não conheço o suporte utilizado. Como reportagem é suficientemente diferente para ser um olhar único sobre o tema abordado, é mais arte do que reportagem é por isso tem a minha segunda preferência.
O trablho de Nacho Doce sobre um casal de idosos em que a mulher sofre de Alzheimer é uma peça tocante sem ser lamechas – desculpem a expressão – uma peça que foca a vida de um casal que aos 80 anos e confrontado com a doença se viu obrigado a uma troca de papeis, algo brutal para um homem de 82 anos. Pungente.
O trabalho do João Carvalho Pina sobre as favelas do Rio já é conhecido mas não deixa de ser uma boa surpresa ver este trabalho ao vivo e a força que o mesmo transmite. Outro trabalho a preto&branco – tal como o trabalho de Paulo Pimenta – que neste caso é uma escolha inteligente. É talvez um dos poucos portfolios que segue melhor os cânones do fotojornalismo e isto no bom sentido. Tem imagens onde se sente o perigo e a ameaça é quase palpável e isso é uma mais-valia deste conjunto.
Nelson Garrido tem um trabalho notável sobre a imigração da Mauritânia para os países da europa, em busca de uma vida mais digna. Um trabalho que contextualiza bem a situação que leva os habitantes deste país a deixar tudo para trás e bordo de frágeis barcos de madeira, a caminho de uma terra prometida que grande parte das vezes não os deseja.
O prémio é uma iniciativa excelente para a divulgação do bom fotojornalismo em Portugal e não podia ter começado de melhor forma, tal é a qualidade dos vencedores. É ao mesmo tempo uma nova perspectiva sobre o fotojornalismo, onde se dislumbram já novas linguagens, muito próximas de trabalho de autor, no geral já longe das linguagens muito marcadas do fotojornalismo: o trio guerra/crime/desporto.
Rating: ****







Esta exposição do 
Fotografia de recorte clássico, impressões analógicas de bom porte mas mais nada a assinalar. Apesar de tudo tem uma secção com fotografia em Albumina numa sala quase às escuras por causa da sensibilidade das obras expostas (acho eu, mais nenhuma explicação está disponível ao público) onde figura a famosa fotografia de Cartier-Bresson, ‘Derriere la gare St Lázare’. É uma experiência única estar perante um dos icones da fotografia e vale a pena ir lá só para a ver.
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