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04
Mai
09

O espírito da floresta.

neopan-landscape-f-red1Bertiandos, quatro imagens verticais, D200 + AFD 24/2.8, Aperture+AutoPano Pro+Silver Efex Pro.

Depois de Refóios, Bertiandos. Manhã cedo, calor, luz forte. Mochila carregada, cabeça cheia de ideias, objectivos claros: o espírito da floresta, panoramas e flora. Descanso para comer e dormitar no carro até às 15:20. Nova saída atés às 19:30, final do dia nostalgico, carregado de pensamentos. A melhor altura para fotografar começa a chegar ao fim e talvez por isso o sentimento de nostalgia do fim de uma época, a partir de agora os dias começam a estar quentes, demasiado quentes e a luz muito dura. Irão salvar-se as horas do nascer do sol e do pôr do sol. Ou seja muito cedo e muito tarde. Mas gosto de arriscar e fotografar em todo o tipo de luz e talvez vá arriscar fazer o que nunca fiz: fotografar no pino do verão. Muito cedo e muito tarde…
Será também neste verão que irei apostar num curso com o William Neil, curso à distância e online. Aprender com um dos mestres actuais e cujo trabalho é para mim uma referência será uma experiência extraordinária.

02
Mai
09

Refóios do Lima (Vacariça).

refoios-panOntem não resisti ao ‘desafio’ do José Loureiro e parti em direcção a Refóios do Lime, Ponte de Lima. Chegar lá não é particularmente difícil porque as saídas da A28 e IC 28 estão bem assinaladas. Chegado a Vacariça deveria ter estado atento a um sinal de início do percurso a pé e meter por essa estrada até acabar e depois meter os pés ao caminho; confesso que me enganei, passei o sinal e meti-me por uma estrada de terra batida em mau estado (um carro normal não passa) onde termina a aldeia e segui em frente. Quando me apercebi que algo estava errado vimos um caminho à esquerda, com espaço para estacionar o Panda 4×4 Cross (também estaciona-se quase em qualquer lugar…) parei e decidimos fazer o caminho a pé.

A zona é muito interressante do ponto de vista fotográfico, cheia de oportunidades, com zonas de bosque muito similar ao Corno do Bico: muitas coníferas, abetos, e árvores de folha caduca – castanheiros, faias e carvalhos.

dscn1300Há bastantes garranos à solta, aliás existe um local cercado onde são recolhidos.

dscn1309Encontrei campos repletos destas flores mas não faço ideia do que são…

Acabei por fazer uns cinco quilómetros a pé, sempre a cotas superiores a 650mts – e chegamos a atingir os 790mts – sempre com bom tempo, algum vento, um trajecto que se faz bem. Se fizer tudo ‘by the book’ a coisa faz-se por quatro quilómetros até à lagoa e por dez no total do percurso, desde Vacariça até Vilar do Monte (ida e volta). Recomendado no Outono e no início da primavera, nesta altura é aproveitar os dias mais enublados para o fazer, daqui para a frente o calor é abrasador…

22
Mar
09

a primavera está aí…

bertiandos-612(chapim azul real)
Para os mais distraídos, a primavera chegou…

[ pequenos detalhes técnicos: Nikon D200 + AFS70-200/2.8 G VR @ 200/ ISO640 / f7,1 / 1/160 / Bertiandos, Portugal ]
Actualização: obrigado ao José Rui Fernandes pela correção, de facto é um chapim real.

28
Fev
09

pagar para quê?…

bertiandos(parque de estacionamento da área protegida das lagoas de bertiandos)

Pergunto se vamos pagar para fotografar nas áreas protegidas e se é isto que vamos encontrar… ou istobertiandos-1(lagoa do mimoso – a.p. das lagoas de bertiandos)

Ou talvez uma bateria, caso precise de energia para a máquina digital…bertiandos1(rio estorãos- a.p. das lagoas de bertiandos)

Ou um saco para as compras…
bertiandos-2(lagoa do mimoso – a.p. das lagoas de bertiandos)

Já aqui falei várias vezes sobre a questão de pagar ou não para aceder a áreas protegidas, concordo que o estado actual das coisas não pode continuar conforme está, sob o risco das áreas protegidas desaparecerem perante a nossa inércia, algo precisa de ser feito e já. Vários argumentos têm sido invocados para justificar o pagamento ou o não pagamento de taxas mas os fotógrafos de natureza têm uma responsabilidade acrescida nesta matéria porque dependem destes locais para trabalhar e precisam de olhar para esta situação de um outro ângulo. Devemos pagar para entrar em parques e áreas naturais se pagamos tantos impostos? A questão no entanto é: o que temos hoje sem pagar e o que queremos ter se amanhã formos taxados? A resposta é simples: na primeira temos o que temos hoje (e vou exemplificar mais abaixo o que temos hoje…), na segunda podemos exigir uma alteração radical da maneira como se olha em Portugal para as áreas e paisagens protegidas. Os nossos impostos não são um poço infinito onde podemos obter funding ilimitado e onde existem recursos infinitos, são necessários para a saúde e para o ensino, escolas, estradas; se assim é pouco ou nenhum sobra para a defesa do ambiente – o que diga-se até dá algum jeito e que justifica atentados como os famosos PIN – que habitualmente fica em último lugar a fazer companhia à cultura.

Não é possível os fotógrafos de natureza continuarem a trabalhar de costas viradas para as entidades que supervisionam as áreas naturais e vice-versa, é uma situação de perda-perda em que ninguém ganha com esta falta de diálogo; compete também aos fotógrafos lutar e defender os locais onde trabalham e que lhes permitem subsistir, ignorar isto e decidir que partir lá para fora é fugir à questão fulcral na fotografia de natureza: qual deve ser o papel dos fotógrafos de natureza na defesa da mesma? Divulgar os locais que em Portugal são autênticos santuários da natureza – e há vários em Portugal -, intervir na sua defesa são tarefas a que hoje um fotógrafo de natureza não pode fugir, Ansel Adams não se escusou a esse papel e os parques naturais dos EUA muito lhe devem. Os fotógrafos têm que ser partes integrantes da solução e não parte do problema mas não podem também ser o ‘bode expiatório’ que vai salvar os nossos parques à custa das taxas que lhes vão ser cobradas. Outras soluções mais interessantes poderão ser aplicadas: a reversão de uma comissão nas vendas de cada fotógrafo para a zona onde o fotógrafo fotografa habitualmente ou onde a fotografia foi feita, cedência gratuíta de fotografias para divulgação dessa área protegida, organização de workshops juntamente com o ICNB a preços convidativos para chamar visitantes às áreas protegidas ou então a montagem de um fundo que se destine a recuperar/salvar algumas dessas zonas.
O estado actual das coisas não serve, como me parece óbvio, a ninguém, nem ao ICNB nem aos fotógrafos. Até quando vamos todos continuar a falar de costas viradas uns para os outros não sei mas que de facto me parece que vai ser preciso sentar todos os intervenientes à mesa e discutir pontos de vista também me parece óbvio. Com o autismo constante e crónico do ICNB será, de certeza, uma tarefa complicada. Agora o estado português não se pode divorciar desta situação e depois espalhar outdoors pelo país a dizer que tem 700,000 hectares de áreas protegidas e piscar o olho ao turismo, levando as pessoas a escolher uma delas para passear. Como se pode ver será uma viagem inesquecível no meio dos sacos plásticos…

A finalizar deixo-vos aqui o meu testemunho pessoal, que é ao mesmo tempo um grito de alerta sobre o que se passa, por exemplo, em Bertiandos.

Começa a ser complicado ir para Bertiandos fotografar, no rio estorãos se não estiver muito (mas mesmo muito) atento não é díficil chegar a casa com restos de sacos plásticos espalhados nas fotografias, na zona da lagoa do mimoso o lixo é tanto que já é quase impossível virar uma lente para qualquer lado sem ver lixo espalhado, de sacos de plástico a latas de cerveja é possível ver um pouco de tudo.

Há três anos atrás era muito fácil encontrar, por volta desta época, nos pequenos charcos que circundam as lagoas várias espécies de rãs, hoje e após uma invasão de lagostins já é praticamente impossível avistá-las. Na altura questionei no centro interpretativo qual era a origem dos lagostins mas ninguém me soube responder no centro interpretativo, hoje estão desaparecidos – não sei como – e se durante algum tempo era possível avistar restos de lagostins que eram comida fácil para as lontras e aves, hoje nem lagostins nem rãs…
Tudo isto coincide com um aumento gradual nas visitas à área e já se vêem muitos turistas estrangeiros mas também muitos portugueses de outras zonas do país. No entanto o civismo de quem visita as lagoas ainda é bastante baixo, para não dizer inexistente, e na terça feira de carnaval cruzei-me com um miúdo que levava uma fisga com que ia lançando pedras a tudo o que se mexia…debaixo do olhar ‘embevecido’ do progenitor, provavelmente espantado com as capacidades de atirador do catraio.

Para não ver este triste espectáculo prefiro pagar e pagar um valor razoável como por exemplo os preços praticados no parque Yellowstone nos EUA do que não pagar e assistir à morte lenta deste local. Fechar a área e impedir o acesso indiscriminado de pessoas e viaturas parece-me a solução ideal, logo a seguir disciplinar e responsabilizar os agricultures da zona para não fazerem do rio estorão/lagoa do mimoso o seu balde do lixo, limpar o local de lixo e mato e colocar portagens. A precisar de uma atenção muito especial por parte do ICNB e da Câmara Municipal de Ponte de Lima…acabe-se de vez com a rebaldaria, falta de civismo e abandono. E salve-se Bertiandos deste sufoco…para que seja possível encontrar este cenário durante mais alguns anos:
bertiandos-14




mário venda nova







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