
Inauguração da exposição de Rui Duarte na Mundo Fantasma no dia 07/Maio às 17:00, apareçam!
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Discovoador et al
Market Day – James Sturm
Regresso aos livros não com uma edição sobre fotografia mas com um livro de banda desenhada. E digo já que regresso muito bem.
Market Day de James Sturm foi um das boas leituras que passou cá por casa, um livro simples, escorreito e com uma excelente história. A históra acompanha um dia na vida de Mendleman um criador de tapetes e a sua jornada de labor a caminho do mercado onde irá vender os seus tapetes. Sturm consegue captar de forma magistral todas as alterações de humor e sentimentos do personagem através do desenho/cor mas Sturm também reflecte sobre o processo criativo através do seu personagem, acompanhando o seu processo criativo. É interessante descobrir como Mendleman concebe os seus tapetes, absorvendo tudo o que o rodeia e nunca desligando a sua imaginação, afinal é isso que faz dos seus tapetes algo especial. Mas Sturm reserva a Mendleman uma série de reveses que irão transformar a sua vida…
Através do uso judicioso da cor Sturm consegue passar para o leitor o estado de espírito do personagem e todo o seu conflito após a série de reveses que transformam o seu dia e no final irão transformar a sua vida. Aqui estamos longe das produções digitais de larga escala, nesta história argumento e desenho combinam-se para criar um livro único que ultrapassa a banda-desenhada para se transformar num livro com mérito próprio.
A descrição do processo criativo é algo com que as pessoas que criam arte, ou obras que aspiram a sê-lo, facilmente se conseguem relacionar; a paixão que se coloca na sua criação, a expectativa de as colocar à disposição do público, o reconhecimento, ou a sua falta, da criatividade é algo pelo qual muitos artistas e artesão passam. Sturm põe isso no papel de uma forma tão eficaz que é quase impossível não sentirmos como nossos os desaires e alegrias de Mendleman.
Foi exactamente por causa de obras destas que me senti atraído, já lá vão alguns anos, para a banda-desenhada de autor. Este livro é algo extraordinário e que merece um lugar em qualquer estante, é assim tão bom.
A edição de bom recorte, excelente papel e impressão faz valer os cerca de 25€ que custa o livro mas por trás disto está uma história que nos agarra do princípio ao fim, eu pessoalmente li-o de uma assentada, o que me acontece raramente. É assim tão bom…
Altamente recomendado portanto!
Esta obra pode ser adquirida na Livraria Mundo Fantasma no Shopping Brasília no Porto e podem contactar a livraria através do blogue da Mundo Fantasma.
David Rubín na Mundo Fantasma.
David Rubín é um espanhol, de Ourense, de 31 anos e que se tem destacado no mundo da banda desenhada e ilustração. Dotado de um estilo muito particular, com um traço entre o cómico e o estilizado, pelo que vi na exposição David Rubín usa um imaginário muito próprio com influências tão distintas como o mundo dos super-heróis, a ficção cientifíca, tudo conjugado com várias referência histórias e míticas.
Isto a propósito da nova exposição da ‘Mundo Fantasma‘ que inaugurou no passado dia 18/Ago., em exposição estão um misto de trabalhos a cores e a preto&branco do autor, numa selecção que pende mais para os trabalhos monocromáticos.
Aqui exposto vê-se o trabalho a cores que serve de base a uma edição giclée da galeria e que na minha opinião é uma obra excepcional, disponível apenas em A3 e com um preço muito interessante: 30€. Impressa num papel de qualidade, a ilustração é um desenho bastante estilizado que utiliza como base o vermelho vivo – ricamente reproduzido pela impressão – que contrasta bem com os cinzentos. A imagem escolhida tem mistério, modernidade e decadência q.b., o que faz um super-herói num mundo em ruínas? o que procura? são as questões que a imagem me suscita.
A exposição tem também alguns apontamentos visuais do autor em versão desenho/tinta que resultam bem como um ‘antes e depois’ embora neste caso falte a última etapa, a cor. Mas têm valor documental para se perceber o método de trabalho do autor e ajudar aqueles, como eu, que gostam de aprofundar os conhecimentos de banda desenhada e ilustração. Apesar de esteticamente tornar a exposição menos rica acho importante expor estes trabalhos como matéria de estudo e documental.
De referir também o outro gliclée da Mundo Fantasma, uma obra psicadélica e muito ao estilo Barbarella, bastante colorida e cheio de pequenos detalhes e que foi realizada inicialmente para o cartaz do salão de Barcelona, agora em edição limitada.
Deixo a finalizar um excerto de uma das obras a cores exposta, um Adão e Eva apocalípticos num jardim hi-tech infernal e que gostei bastante.

Exposição na mundo fantasma.
Aí está a nova exposição da Mundo Fantasma, a mostrar que investiu de facto na sua nova galeria como um espaço de referência na banda desenhada a nível nacional. Apesar da crise, da desmoralização total eis alguém que mostra o caminho: montar projectos novos e arriscar com inteligência.
Para todos os que, como eu, não conhecem os autores aqui fica o convite para visitarem a exposição a partir de amanhã às 17:00hrs.



