Mensagens com Etiquetas ‘arte



14
Jul
09

Porto: o que ver…

Para estes dias de verão as actividades ao ar livre são sempre interessantes e a exposição ‘Homem T’ na Av. dos aliados é um exemplo disso.
Porto 1Esta exposição do Espaço T pretende ser uma reflexão sobre o homem actual e propõe a intervenção de vários artistas sobre o mesmo suporte – manequins de fibra de vidro, indo um pouco mais além do carácter decorativo dos mesmos.
Porto 2

O CPf propõe-nos a exposição ‘invisões’ sobre as obras dos fotógrafos franceses que apresentam um olhar sobre Portugal e que pertencem à colecção do Centro.
Porto 4Fotografia de recorte clássico, impressões analógicas de bom porte mas mais nada a assinalar. Apesar de tudo tem uma secção com fotografia em Albumina numa sala quase às escuras por causa da sensibilidade das obras expostas (acho eu, mais nenhuma explicação está disponível ao público) onde figura a famosa fotografia de Cartier-Bresson, ‘Derriere la gare St Lázare’. É uma experiência única estar perante um dos icones da fotografia e vale a pena ir lá só para a ver.
Porto 5

01
Abr
09

Ainda sobre criar um estilo próprio

No artigo do Michael Gordon que citei ontem na minha entrada ‘criar um estilo próprio (+)…‘ ainda existe mais uma passagem que achei brutalmente franca e que é uma chamada à realidade: todos nós fazemos fotografias que pura e simplesmente são, por uma razão ou por outra, um fracasso e que são ‘degraus’ (cito aqui o autor) para atingir as boas fotografias. Não resisto à citação:

John Sexton once said that the most valuable tool in his darkroom is the trash can. You need to and should love your own photo-graphs more than anyone, but don’t let that love prevent you from using the circular file or DELETE key. Ruthless editing is essential to your growth as a photographic artist, so don’t be afraid to let go of the not-quite-there images. We all make them; consider them stepping stones or practice images for your best ones. You need to be the harshest critic of your own work, and your photographic growth cannot happen without your sincere criticism. Reject any photograph that you cannot honestly call your own.

31
Mar
09

criar um estilo próprio (+)…

Thinking in themes
William Neil ensina a importância de trabalhar por temas e fotografar os temas que nos atraem mas sobretudo como organizar projectos em torno desses temas.

Learning to see – confessions of a copycat photographer
Este artigo fala de vários aspectos de fotografar o que já é sobejamente conhecido e mesmo assim conseguir algo único e diferente de tudo o resto que já foi fotografado nesse local.
Lon Overacker explica no mesmo artigo que a familariedade traz a criatividade ou seja o conhecimento de um local pode reforçar a criatividade e ‘obrigar-nos’ a superar o que já fizemos nesse local. Acredito a 100% nesta pequena ideia.

Toward a personal style
Deste conjunto dos três ensaios este é claramente o meu favorito. Bem escrito e com um discurso positivo, Michael Gordon explica em meia dúzia de ideias bem estruturadas o que é conseguir um estilo próprio e dá dois conselhos que considero importantes: editar sem piedade os projectos e ser paciente.

Remember, photographic style is a subconscious evolutionary process and is the byproduct of experience and intensive image making. Forcing any step of this process might very well doom it to failure. Don’t worry about whether you have a unique style, and don’t agonize over how to develop one. Enjoy the process of making photographs and let things flow naturally. The Masters of Photography didn’t become Masters by forcing their style, nor did they become Masters overnight. Discover your self, focus on your subjects and your intent, and your unique style will naturally find its way to the surface of your photographs.

24
Mar
09

o estado da fotografia.

Um dos pensamentos que me assalta nestes últimos tempos é saber como é que a crise que atravessamos afecta a produção fotográfica. Em tempos de crise é natural que o espírito criativo se desenvolva, a procura de soluções fora do comum para problemas fora do comum obriga a que seja necessário pensar para além do óbvio e do conhecido.
Hoje os fotógrafos gerem a sua carreira como um negócio, tomam decisões de gestão como uma qualquer empresa e numa época de crise têm a sua atenção virada para a sua sobrevivência. Haverá ainda espírito para criar obras de arte?

O fotógrafo vê-se confrontado com várias decisões de sobrevivência de negócio e tem que produzir algo que o mantenha acima da concorrência, tarefa árdua sabendo que, por exemplo, hoje a concorrência de um fotógrafo é praticamente toda a gente com uma câmara na mão.
As publicações para cortar custos despedem os fotógrafos residentes e desatam a contratar freelancers que trabalham mais recebendo menos. A tragédia desta situação é que os referidos freelancers estão apenas a enterrar o mercado de que tanto precisam para sobreviver, ao aceitar receber menos e com menos direitos dificilmente chegarão à posição dos colegas que substituiram e, pior do que isso, são encarados como descartáveis ao primeiro sinal de crise. Sem laços fortes que os liguem aos editores de imagem são carne para canhão, ninguém os conhece e ninguém se importa. Ninguém se importa também que se vá buscar gente acabadinha de tirar um curso e sem tarimba, em muitos casos servem apenas para cobrir algo que não é possível comprar numa agência de microstock ou a um banco de imagem. Assim é difícil ser criativo…

O mui apregoado lema de fazer de cada um de nós o repórter no local do acontecimento pode ser bom para despoletar a cobertura desse acontecimento mas não pode ser a cobertura em si, o Zé no terreno desconhece conceitos de ética do que deve ser, ou não, captado. Qualquer dia arriscamo-nos a que as câmaras comecem a surgir apontadas indiscriminadamente a mortos e feridos em grandes planos dignos de um filme série B, pronto a ser exibido no Fantas. Aqui os limites éticos não podem ser deixados ao critério de quem está com a câmara na mão e não sabe o que fazer nem foi treinado para o fazer, nem tem a ver com conceitos estéticos, tem apenas a ver com o estrito critério moral do que é correcto. Arriscamo-nos a que apareça um novo tipo de paparazzo, aquele que de câmara na mão apenas espera o acidente ou a desgraça alheia para assim tentar a sorte e ter os seus quinze minutos de fama. Felizmente ainda tem havido algum bom senso por parte dos jornais e tv’s e ainda não se generalizou a divulgação de imagens cuja captura seja moral e eticamente questionáveis, mas de facto o risco existe e deve ser acautelado. E o risco só pode ser minimizado se quem está no campo tem a formação que lhe permita tomar essa decisão conscientemente: o repórter. Daqui se depreende que despedir repórteres pode minimizar os impactos da crise mas tem impactos profundos na forma como as notícias são captadas e, indirectamente, na qualidade dos meios que veiculam essas notícias.

No campo da fine-art a coisa complica-se, hoje coloca-se à venda uma obra de arte na internet por preços inacreditáveis, veja-se por exemplo o Yellow Corner da Fnac que vende fotografias 40×50 a 60€ com moldura. Pergunto o que se compra quando se compra Yellow Corner? Arte a metro, de bons artistas é certo, mas não deixa de ser arte impressa aos milhares (estamos no campo das open editions, onde apenas os formatos superiores a 60×75 são limitados) o que desgasta logo à partida o conceito de arte barata porque passa a ter o conceito das ‘obras’ vendidas no Ikea ou no Continente ou seja é bonito para pendurar na parede e pouco mais. Interessante é o conceito do 20×200 onde à partida se sabe quantos exemplares existem ou por exemplo o caso da Galeria Mundo Fantasma que faz edições de ilustradores muito interessantes, com bons preços e edições fechadas.
Mesmo argumentando que uma edição Lamba tem mais qualidade que uma impressão inkjet, e que a tem não há margem para dúvidas, mesmo assim os fotógrafos que lá estão têm mais lucro em imprimir em casa, controlar a cadeia toda e assim ganhar mais; têm é mais trabalho mas sem trabalho também não se chega a lado nenhum.
Por outro lado são artistas com uma carreira em estágio inicial e que poderão ganhar alguma exposição junto do público com esta parceria. Mas falta determinar qual é o público alvo da Fnac – e não dos artistas – para se avaliar a validade de tal associação, sem querer fazer tal avaliação de ânimo leve, eu diria que o público alvo da Fnac é tudo menos o público que vai à procura de fotografia, da sua carteira a Fnac terá 2-5% desse público? Porque vamos ser francos a Fnac não é conhecida por vender boas obras de arte mas sim por vender livros e aparelhos de electrónica a bons preços. Reparem que a Mundo Fantasma é uma livraria de BD mas que conheçe o mercado especializado e assim tem uma posição priveligiada para gerir a sua galeria dedicada exactamente a essa arte. É diferente de vender livros a metro e dvd’s a bom preço e de repente começar a vender obras de arte fotográficas. Arrisco-me a dizer que é um conceito diametralmente oposto.

Entenda-se já que sou a favor de boa arte a preços acessíveis, essa é a sobrevivência daqueles que não chegam às galerias e que tendo um trabalho notável o divulgam e comercializam por conta própria. Mas sou a favor de uma divulgação sustentada pelo próprio fotógrafo dirigida a público específico e depois a exposição em espaços que se concentrem na divulgação da fotografia. Atentem no caso da loja Monochrom em Berlim que ao negócio de material fotográfico juntou uma galeria que tem mostrado trabalho e boa fotografia (basta analisar o historial da galeria).

Em Portugal ainda faltam iniciativas deste cariz mas talvez estes surjam mais cedo ou mais tarde, será apenas uma questão de tempo. Porque em tempo de crise é necessário que os fotógrafos encontrem o público certo para não desperdiçar energias a ‘falar’ com quem não os entende, o sucesso depende também dos parceiros que escolhem e do seu conhecimentos do ramo. Para se sobreviver é preciso ser criativo, produzir boas fotografias mas particularmente procurar sinergias que lhes tragam novos públicos interessados em fotografia. É óbvio que não se podem ‘converter’ todos mas nesta altura é mais fácil conquistar um público que à partida tem uma certa apetência pela fotografia do que conquistar novos públicos sem essa apetência. A formação de novos públicos é algo que virá com o tempo e com o habito de ver fotografia.

Nota final: ainda existem fotógrafos capazes de dar algo seu, entenda-se trabalho, em troca de nada; veja-se o exemplo do Scott Streble que vai fazer retratos para gente desempregada usar nos seus CV’s a troca de nada. Espera ele que no retorno da economia alguns dos retratados se lembrem da sua ajuda e por sua vez o ajudem. Mas o facto de ser gratuíto não significa que é mau, apenas é um serviço prestado com a qualidade habitual com uma forma prevista de pagamento diferida no tempo.

25
Out
07

A arte mata!

oeds

Li a notícia no ‘El Pais’ mas a forma como o Daniel coloca a questão é tão forte e tão eloquente que qualquer coisa que eu diga já não acrescenta nada mais ao assunto. Em resumo: um artista decidiu amarrar um cão vadio numa galeria até o animal morrer à fome e à sede. Isto para mim não é arte, é estupidez pura e simples. E falta de respeito também, admira-me como alguém numa galeria participa numa palhaçada deste calibre. Realmente o que é preciso é dar nas vistas, não interessa como, interessa é ser-se falado e publicitado. Algo vai muito mal no reino da arte…

Link: A arte pode matar no ‘A barriga de um arquitecto’.




mário venda nova







contactos:

blogue[.]oeds[@]netcabo[.]pt

tlm 965 275 830

skype: elogiodasombra


recursos


Loja 'o elogio' na Amazon
[larga variedade de livros de e sobre fotografia. se comprar via este link recebo uma pequena percentagem.]

Loja 'o elogio' na Amazon.com (EUA)
[igual ao link acima mas para a loja da Amazon EUA, de todas as compras continuo a receber uma pequena percentagem.]

Colorfoto
[uma das melhores lojas em Portugal, com variedade de equipamentos e preços. simpatia e eficácia com loja online.]

Monochrom
[loja boutique, com artigos que não se encontram noutras lojas. os pápeis de impressão fine-art são bons.]

del.icio.us

arquivo

tweets

stats