Mensagens com Etiquetas ‘arte

06
Out
09

(T)(S)er.

“What we do during our working hours determines what we have, what we do in our leisure hours determines what we are.”

George Eastman

É sempre uma discussão, esta do ser e do ter, interessante de debater com fotógrafos. Se por um lado a fotografia é arte por outro lado é inegável o lado técnico e tecnológico e perceber até que ponto cada um dos lados influencia o outro é uma discussão com possibilidades infinitas.
Será um fotógrafo cada vez melhor se tiver mais e melhor equipamento? Será a arte independente das ferramentas?

Acho que a questão central deste debate será sempre o de cada um ter as ferramentas necessárias para atingir os objectivos a que se propõe, aqui é que reside o problema de facto nos debates em torno dos equipamentos fotográficos, é que sem objectivos claros qualquer justificação serve para comprar uma nova máquina, uma nova lente ou uma nova impressora. Poder ter e manusear o melhor e mais recente equipamento, custe ele 1.000€ ou 10.000€, é uma justificação perfeitamente aceitável do ponto de vista da justificação da aquisição, do ponto de vista da utilização é fraca razão para o justificar e muitas vezes o Ter é mais forte do que o Ser. Resolver uma falta de inspiração ou tentar lutar contra a mesma empurrando o problema para a frente, gastando dinheiro numa nova lente que de repente vai resolver tudo é o caminho mais certo para ter uma excelente colecção de equipamento ao fim de uns anos mas também uma colecção impressionante de fotografias medianas…

Um fotógrafo, dizem que eu não tenho assim tanta certeza, fotografa com qualquer coisa nem que seja um pinhole feita com uma lata. Talvez. Mas um fotógrafo sentado numa margem de um rio à procura de fotografar uma garça real, chegaria a casa sem nada publicável e vendável.
Se as ferramentas não fazem o artesão, as ferramentas apropriadas fazem toda a diferença. Saber o que usar, quando o usar e porque o usar são apenas algumas das muitas decisões criativas que um fotógrafo tem que tomar. Um bom fotógrafo não compra uma lente (substituir por máquina, tripé, filme, o que melhor se adaptar a cada caso) que depois encaixa no seu método de trabalho, um bom fotógrafo compra uma nova lente porque para atingir determinado objectivo criativo precisa dessa lente.

Olhar, ver, sentir e fazer a fotografia são talvez as melhores ferramentas que os fotógrafos têm à sua disposição. Ter objectivos claros e bem definidos antes de carregar a mochila é meio caminho para fazer boas fotografias; trabalhar para um livro, uma exposição é trabalhar para um fim, sair e fazer algumas fotografias sem esse foco central é apenas trabalhar para o stock e nada mais. E o stock é algo que se mostra à família, aos amigos mas que dificilmente impressiona alguém fora desse círculo. Para atingir objectivos mais audazes temos que ser capazes de os impor a nós mesmos mas sobretudo ser capazes de os cumprir. Até ao fim. E sobretudo procurar não disfarçar a falta de objectivos com o excesso de equipamento.

07
Set
09

Smart history – uma visita virtual a obras de arte.

Aguma vez sentiu a necessidade ou talvez a curiosidade de saber a história de uma obra de arte? Mas não tinha à mão um largo e dispendioso livro de arte? Ou pura e simplesmente não estava com disposição para o pesquisar e gostaria antes de ver alguém a dissertar sobre a obra?
O Smart history vem resolver estes, e mais alguns, problemas que se colocam a quem precisa de pesquisar ou simplesmente saber mais sobre uma obra de arte, com um arquivo de 254 obras de arte e 202 vídeos já existe informação suficiente para satisfazer algumas dúvidas, ajudar em pesquisas e facto de interesse para os meus leitores é que a fotografia não foi esquecida. Não tem um vasto repertório de obras fotográficas mas por exemplo dos anos 60 em diante tem Diane Arbus, os Becher, Cindy Sherman, Eggleston e Sherrie Levine. Tem no período 1907-1960 mais alguns fotógrafos, notavelmente Henri Cartier-Bresson com a sua Derriere la Gare St. Lazare, fotografia que pode ser vista no CPF no Porto e que faz parte da sua colecção.

Os vídeos têm uma duração à volta dos cinco a oito minutos o que permite transmitir uma boa quantidade de informação e análise sem se tornar maçador, tem também o pormenor muito interesse que é situar num mapa onde e quando a fotografia foi feita. Como não poderia deixar de ser tem também um blogue onde mantêm informação actualizada sobre as suas actividades.
Essencial para quem gosta de arte.

24
Ago
09

David Rubín na Mundo Fantasma.

DRubin 6David Rubín é um espanhol, de Ourense, de 31 anos e que se tem destacado no mundo da banda desenhada e ilustração. Dotado de um estilo muito particular, com um traço entre o cómico e o estilizado, pelo que vi na exposição David Rubín usa um imaginário muito próprio com influências tão distintas como o mundo dos super-heróis, a ficção cientifíca, tudo conjugado com várias referência histórias e míticas.
Isto a propósito da nova exposição da ‘Mundo Fantasma‘ que inaugurou no passado dia 18/Ago., em exposição estão um misto de trabalhos a cores e a preto&branco do autor, numa selecção que pende mais para os trabalhos monocromáticos.
DRubin 3Aqui exposto vê-se o trabalho a cores que serve de base a uma edição giclée da galeria e que na minha opinião é uma obra excepcional, disponível apenas em A3 e com um preço muito interessante: 30€. Impressa num papel de qualidade, a ilustração é um desenho bastante estilizado que utiliza como base o vermelho vivo – ricamente reproduzido pela impressão – que contrasta bem com os cinzentos. A imagem escolhida tem mistério, modernidade e decadência q.b., o que faz um super-herói num mundo em ruínas? o que procura? são as questões que a imagem me suscita.

A exposição tem também alguns apontamentos visuais do autor em versão desenho/tinta que resultam bem como um ‘antes e depois’ embora neste caso falte a última etapa, a cor. Mas têm valor documental para se perceber o método de trabalho do autor e ajudar aqueles, como eu, que gostam de aprofundar os conhecimentos de banda desenhada e ilustração. Apesar de esteticamente tornar a exposição menos rica acho importante expor estes trabalhos como matéria de estudo e documental.
DRubin 1De referir também o outro gliclée da Mundo Fantasma, uma obra psicadélica e muito ao estilo Barbarella, bastante colorida e cheio de pequenos detalhes e que foi realizada inicialmente para o cartaz do salão de Barcelona, agora em edição limitada.

Deixo a finalizar um excerto de uma das obras a cores exposta, um Adão e Eva apocalípticos num jardim hi-tech infernal e que gostei bastante.
DRubin 4

10
Ago
09

Festival Jardins 2009.

festival jardins PL 2009 (9)© mário venda nova

Este fim de semana visitei pelo segundo ano consecutivo o Festival de Jardins de Ponte de Lima. Estamos em Agosto, o calor aperta e a luz é péssima para fotografar mas aprecio particularmente este festival para deixar passar a oportunidade de visitá-lo. Em termos puramente estéticos gostei mais dos jardins deste ano do que do ano passado; no conjunto global são aquilo que classifico como peças conceptuais, logo intransponíveis para a realidade de um jardim caseiro, visualmente atraentes e com uma mensagem forte e carregada mas a questão é se essa mensagem passa para o público de forma perceptível.

Continue a ler ‘Festival Jardins 2009.’

14
Jul
09

Porto: o que ver…

Para estes dias de verão as actividades ao ar livre são sempre interessantes e a exposição ‘Homem T’ na Av. dos aliados é um exemplo disso.
Porto 1Esta exposição do Espaço T pretende ser uma reflexão sobre o homem actual e propõe a intervenção de vários artistas sobre o mesmo suporte – manequins de fibra de vidro, indo um pouco mais além do carácter decorativo dos mesmos.
Porto 2

O CPf propõe-nos a exposição ‘invisões’ sobre as obras dos fotógrafos franceses que apresentam um olhar sobre Portugal e que pertencem à colecção do Centro.
Porto 4Fotografia de recorte clássico, impressões analógicas de bom porte mas mais nada a assinalar. Apesar de tudo tem uma secção com fotografia em Albumina numa sala quase às escuras por causa da sensibilidade das obras expostas (acho eu, mais nenhuma explicação está disponível ao público) onde figura a famosa fotografia de Cartier-Bresson, ‘Derriere la gare St Lázare’. É uma experiência única estar perante um dos icones da fotografia e vale a pena ir lá só para a ver.
Porto 5

01
Abr
09

ainda sobre criar um estilo próprio.

No artigo do Michael Gordon que citei ontem na minha entrada ‘criar um estilo próprio (+)…‘ ainda existe mais uma passagem que achei brutalmente franca e que é uma chamada à realidade: todos nós fazemos fotografias que pura e simplesmente são, por uma razão ou por outra, um fracasso e que são ‘degraus’ (cito aqui o autor) para atingir as boas fotografias. Não resisto à citação:

John Sexton once said that the most valuable tool in his darkroom is the trash can. You need to and should love your own photo-graphs more than anyone, but don’t let that love prevent you from using the circular file or DELETE key. Ruthless editing is essential to your growth as a photographic artist, so don’t be afraid to let go of the not-quite-there images. We all make them; consider them stepping stones or practice images for your best ones. You need to be the harshest critic of your own work, and your photographic growth cannot happen without your sincere criticism. Reject any photograph that you cannot honestly call your own.

31
Mar
09

criar um estilo próprio (+)…

Thinking in themes
William Neil ensina a importância de trabalhar por temas e fotografar os temas que nos atraem mas sobretudo como organizar projectos em torno desses temas.

Learning to see – confessions of a copycat photographer
Este artigo fala de vários aspectos de fotografar o que já é sobejamente conhecido e mesmo assim conseguir algo único e diferente de tudo o resto que já foi fotografado nesse local.
Lon Overacker explica no mesmo artigo que a familariedade traz a criatividade ou seja o conhecimento de um local pode reforçar a criatividade e ‘obrigar-nos’ a superar o que já fizemos nesse local. Acredito a 100% nesta pequena ideia.

Toward a personal style
Deste conjunto dos três ensaios este é claramente o meu favorito. Bem escrito e com um discurso positivo, Michael Gordon explica em meia dúzia de ideias bem estruturadas o que é conseguir um estilo próprio e dá dois conselhos que considero importantes: editar sem piedade os projectos e ser paciente.

Remember, photographic style is a subconscious evolutionary process and is the byproduct of experience and intensive image making. Forcing any step of this process might very well doom it to failure. Don’t worry about whether you have a unique style, and don’t agonize over how to develop one. Enjoy the process of making photographs and let things flow naturally. The Masters of Photography didn’t become Masters by forcing their style, nor did they become Masters overnight. Discover your self, focus on your subjects and your intent, and your unique style will naturally find its way to the surface of your photographs.




mário venda nova







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