Gostei bastante deste vídeo, da edição, do preto&branco e dos efeitos mas sobretudo da música apesar de estar um pouco fora da minha habitual ementa musical. Mesmo assim gosto o suficiente para comprar a música no iTunes.
Bom fim de semana…
Gostei bastante deste vídeo, da edição, do preto&branco e dos efeitos mas sobretudo da música apesar de estar um pouco fora da minha habitual ementa musical. Mesmo assim gosto o suficiente para comprar a música no iTunes.
Bom fim de semana…
A nostalgia do Rock Rendez-Vous, do vinil e dos concertos dos Xutos & Pontapés, na altura verdadeiramente rebeldes e geniais. Hoje são uma fraca sombra do que foram, repetindo fórmulas agastadas, aburgesados e decadentes. A antítese do verdadeiro Rock&Roll portanto…
Para matar saudades do tempo quando ir à praia era considerado um acto impossível de realizar para quem a roupa podia ser de qualquer cor desde que fosse preto e ser rebelde era o único futuro à vista num país que lutava para se manter à tona com as lufadas de ar que vinham do FMI. Hoje passados cerca de 20 anos, mais ano menos ano, a coisa está mais ou menos no mesmo sítio ou seja temos, mais ou menos, o mesmo estado da nação.
Foi uma indicação do Dr. Manuel Coelho no meio das nossas reuniões mensais onde por vezes entre a frieza cínica dos números alguns apontamentos de arte, fotografia e música se introduzem.
Gostei particularmente da voz mas todo o conjunto é fenomenal e bastante cativante, a voz de Noe Venable tem uma mistura entusiasmante de juventude e lirismo, tal e qual como Joanna Newsom a tem no seu fabuloso ‘Ys’, e transborda de emoção em cada nota.
Esta canção é retirada do seu álbum ‘The Summer Storm Journals’ de 2007, um disco repleto de grandes canções onde é díficil destacar uma só.
Desde que comprei o iMac em 2006 nunca fiz um uso intensivo do iTunes. Posteriormente comprei um iPod Nano de 2Gb e comecei a usar mais a aplicação mas foi após ter comprado um iPod Touch 32Gb em Dezembro de 2008 que uma revolução digital se instalou na minha vida de forma categórica.
Abro um pequeno parênteses para dizer que tenho uma aparelhagem hi-fi de excelente som, da marca inglesa Rega, que vai desde um prato gira discos até às colunas. Posso afirmar que conheço música e som de uma forma bastante competente. Fecho parênteses.
Até 2007 o grosso das minhas aquisições eram feitas em suporte vinil e muito raramente CD. Mas num apartamento o espaço é coisa que não cresce e comecei-me a confrontar com uma situação difícil de ultrapassar: onde colocar os discos. Sempre preferi o vinil ao CD, de longe o suporte analógico é melhor: melhor som, melhor controlo de baixos e menos estridência nos agudos. Mas tem desvantagem claras, nomeadamente o espaço que ocupa e a manutenção. Fast foward para 2009…
iPod Touch 32Gb + auscultadores Etymotic ER-4P
Lentamente comecei a migrar a minha colecção de CD’s para o iTunes em formato mp3 que depois se transformou em AAC 320kbps e que substituiu os mp3, as capas foram digitalizadas e adicionadas aos discos. De repente tinha em mãos um biblioteca de mais de 90Gb em AAC de alta resolução, um iPod de alta qualidade mas uma corrente é apenas tão forte quanto o seu elo mais fraco que neste caso são os auscultadores brancos (feitos pela Sony) que equipam de base todos os iPod’s. É impossível obter bom som daquilo mas por cerca de 25€ também não se esperam milagres.
De facto o meu propósito era tirar o maior partido possível do conjunto iPod+iTunes e dos ficheiros em AAC 320kbps por isso não foi difícil chegar à conclusão que investir nuns bons auscultadores era o caminho a seguir. Chegar próximo do som hi-fi que conheço da minha aparelhagem seria uma meta quase louca mas nada como tentar.
Conheço a fama dos Etymotic já de longe e depois de ler as análises ao seu som – equilibrado, um pouco abafado nos baixos e com uns agudos soberbos – comprei através do Russ Andrews uns ER-4P. Primeiro de tudo são auscultadores intra-auriculares, que quer dizer que ficam dentro do ouvido, segundo isso pode trazer alguns problemas de adaptação porque ficam dentro do ouvido, bloqueiam o som externo (por isso não os deve usar na rua!) e inicialmente fazem alguma impressão. A colocação também é inicialmente estranha… O preço também não é suave: 200€.
Etymotic ER-4P
Mas a pergunta fundamental é: qual a qualidade do conjunto iPod Touch 32Gb + auscultadores Etymotic ER-4P em termos sonoros? Hoje é 28 de/Jun e de repente percebo que este ano ainda não liguei a aparelhagem de som… E continuo a ouvir e a comprar música. Espero que isto responda à questão anterior.
O som do conjunto em ficheiros AAC de 320kbps – ou no formato AAC de 256kbps da loja iTunes (+) – é pura e simplesmente excelente. Uma gama dinâmica boa, que permite ouvir um trio acústico ou uma sinfonia, uma separação dos instrumentos eficaz e coerente fazem deste conjunto uma clara opção para quem gosta de ouvir música.
Em ‘Exit music (for a film)’ do álbum dos Radiohead ‘Ok computer’ a dicção do Thom Yorke é perfeitamente perceptível bem como todos os trejeitos de voz, a guitarra no fundo é sempre audível apesar de todas as ‘camadas sonoras que compõe a canção, a partir do minuto 2:50 a bateria entra e o pratos são nítidos e bem recortados. Do mesmo álbum ‘Karma police’ é outro exemplo da musicalidade e ritmo do conjunto, nada se perde, nada soa fora do sítio, com a secção ritmica a segurar a canção e o piano a conduzir a melodia.
Do álbum ‘Central reservation’ da Beth Orton – um dueto com Terry Callier – o xilofone é tão definido que soa real, o dedilhar das cordas do contrabaixo tem o ressonar tão próprio deste instrumento e as vozes são reproduzidas de tal forma que se sente as pequenas alterações de intensidade que o duo lhes imprime, a partir do minuto 4:55 o ritmo que o duo impõe acompanhado dos instrumentos seria o suficiente para transformar a canção numa cacofonia imperceptível mas o iPod+Etymotic segura-se bem e faz uma separação impecável dos instrumentos e voz. Do mesmo álbum a canção ‘blood red river’ é um pequeno rodopio de emoção e intrumentação simples – voz+guitarra acustica+secção cordas – com a voz colocada à frente, a guitarra acústica ligeiramente atrás e à esquerda e a secção de cordas mais atrás e à direita. O ressoar da caixa da guitarra é espantoso e as inflexões da voz de Beth é reproduzido de forma que o ‘feeling’ da canção não se perde.
Em estilos mais musculados, o rimo e o tempo nunca se desviam para longe do original mantendo assim a estrutura ritmica da canção, ‘7/4 shoreline’ dos Broken Social Scene em dueto com Feist é outro bom exemplo reproduzida com aquele ‘ritmo’ que nos faz bater o pé e tocar guitarra no ar. ‘Bone machine’ dos extintos Pixies é outro exemplo de ritmo e coesão.
Habituado a ouvir a música que gosto e compro num sistema onde todas a minudências musicais de cada faixa são reveladas à lupa reconheço que este combo – iPod Touch + Etymotic – me surpreendeu e muito. Consegue de forma consistente entregar um som coeso, ritmado e musical. Apesar de reconhecer que um sistema mp3+auscultadores por cerca de 599€ não é para todos, e neste ambiente de crise ainda se torna mais difícil recomendá-lo, face aos resultados obtidos não posso de lhe dar a minha recomendação total para quem gosta de música e bom som. Para quem quer portabilidade e tem uma colecção de Cd’s alargada, a transformação destes em AAC de 320Kbps (apesar do espaço virtual que ocupam) é a forma mais eficiente de ter a sua biblioteca à mão e bom som ao mesmo tempo. O conjunto é assim tão bom. Substituí um bom sistema hi-fi? Não, mas é um excelente complemento.
É sem margens para dúvida o melhor disco do ano este ‘for emma, forever ago ‘ de Bon Iver.
Reza a lenda que terá sido escrito numa remota cabana do Wisconsin (wikipédia) durante a convalescença do autor da ressaca de um desgosto amoroso e de facto este é um disco muito apropriado para estes dias cinzentos de chuva. O disco foi quase inteiramente gravado na cabana mas depois foi masterizado e produzido em estúdio, apenas acrescentado de alguns instrumentos.
A primeira coisa que sobressai do disco é justamente a voz de Bon Iver (alias de Justin Vernon) e a simplicidade aparente de algumas músicas e de facto o disco vive da conjugação destes dois factores. As letras apesar de simples estão recheadas de pequenas pérolas como “someday my pain, someday my pain/will mark you/harness your blame, harness your blame/and walk through” em the wolfes (act I & II) ou “i tell my love to wreck it all/cut out all the ropes and let me fall” em skinny love.
É um disco recheado de boas canções, uma viagem por entre a solidão, o amor e a desilusão; como já não ouvia há algum tempo e é tão difícil destacar uma única canção entre as dez que integram o disco que nem me atrevo a fazê-lo. Musicalmente diverso, com influências várias, desde a country ao soul e r&b, ‘for emma…’ é um disco único, precioso e intimista que se agarra ao leitor de mp3 e que se cola a nós como o frio de inverno. A voz em falsete remete-nos para pequenas histórias, mete-nos dentro delas e agarra-nos de tal forma que não temos vontade de acabem.
Recursos:
Página de Bon Iver
Página de Bon Iver na editora JagJaguwar
Vídeo de ‘blindsided’ no Myspace
Uma vida tortuosa, cheia de excessos transformou a vida de Billie Holiday num inferno mas deixou-nos em legado um punhado muito generoso de grandes canções, algumas memoráveis como esta. Estranho ouvir as palavras ‘o meu homem’, ‘amor’ e ‘quando ele me agarra com os seus braços’ de alguém que teve a sua quota de amores fracassados, amores brutais e violentos.

São uns dos grupos pop mais simpáticos que ouvi nos últimos tempos, uma verdadeira pérola sonora entre as atordoadas retro punk-urbanodepressivo dos Editors e similares.
Este duo, que é editado pela Blue Note, tem uma sonoridade entre um jazz sumptoso e um pop açucarado, o que resulta num som muito equilibrado e com muito ’swing’. Descobri-os quase por acaso quando navegava na loja do iTunes e decidi ouvir um pouco e foi amor à primeira audição.
Este disco tem verdadeiras pérolas sonoras como o ‘i’m a broken heart’ e o tema de abertura do disco, ‘again & again’. No global os arranjos são bons e os metais estão bem integrados com o resto da banda, no entanto a voz faz-me lembrar um pouco a voz dos StereoLab mas isso não é necessariamente uma coisa má.
A canção que dá título ao álbum é uma canção pop como já não ouvia há muito tempo, o início tem a voz em destaque mas depois o ritmo toma o controlo por momentos e toda a canção é construída à volta deste ciclo melódico. É o disco ideal para este verão que se aproxima, para ouvir no carro enquanto vai para a praia ou para levar no leitor de mp3.
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