Arquivo da categoria 'fotografia'



24
Jan
11

Uma história lomográfica…(uma resposta a Nanã Sousa Dias)

A internet tem destas coisas, alguém acaba um dia por desenterrar o que anda em arquivo em blogues, fóruns, etc. Isto a propósito de um link que alguém no Facebook desenterrou no arquivo do blogue de Nanã Sousa Dias (o blogue foi entretanto apagado…), com uma historinha – a todos os niveis – com laivos de ressabiamento que de facto não se percebe (o Google ainda tem o texto em cache para poderem ler, quando o mesmo desaparecer eu tenho os screenshots do texto na íntegra e actualizo este artigo).

Vamos por partes, nada me move contra Nanã Sousa Dias. Mas é um facto de que o seu texto, sobretudo partindo do príncipio de quem o escreve tem algum peso na fotografia em Portugal e é um organizador de workshops, tem um tom bastante ressentido e estranho.
Mas sobretudo o texto mostra um preconceito sobre determinado equipamento que é um verdadeiro nonsense, se há alguém que não gosta da filosofia da Lomo parece-me normal dado que é impossível agradar a todos, que de repente se ataque as pessoas que fazem fotografia com esse equipamento parece-me esticar o argumento demasiado longe. Se iniciarmos um ataque cerrado às marcas que têm uma filosofia diferente e cujos clientes têm uma atitude também diferente em relação à fotografia podemos começar na Lomo mas já agora porque não à Leica, à Alpa, à Zero Image pinholes, etc.? Porque o essencial do texto do NSD é mesmo esse, são equipamentos “diferentes” com clientes que os compram para se sentirem especiais ou fora do comum, certo?
E como ponto de reflexão podemos argumentar desde quando é que determinado equipamento faz ou deixa fazer uma boa fotografia apenas porque é standard ou normal? Quantas pessoas têm equipamentos de milhares de euros e que nem uma fotografia sabem fazer? – não digo tirar porque isso basta carregar no disparador… Quantas Leicas andam ao peito de gente que apenas quer mostrar o status?…
E o que impede um projecto realizado com uma Lomo de ganhar um prémio BESPhoto (prémio que aliás não faz parte das minhas preferências)? No regulamento impede o uso de uma Lomo? Ou seja eu faço uma exposição numa galeria com fotografia feita com uma Lomo e depois não posso ser seleccionado para o prémio BES? Portanto para ganhar um prémio eu tenho que ter uma boa máquina.

NSD reduz as Lomos a fenómeno de moda, de trend sem nenhum uso além de acessório fashion. Pior, NSD reduz o utilizador Lomo a um bando de freaks, a uma pobre tribo urbana e ainda por cima goza os mesmos; mais uma vez parece-me argumento pobre para início de conversa. Mas que tal valorizar as pessoas que fazem bons trabalhos com Lomos? Que tal ver o trabalho A&J de José Júpiter? E o trabalho Thrills & Chills de Isa Leshko?

I create these images with a Holga camera to provide them with a vernacular feel and a sense of immediacy. The camera’s plastic lens distorts the scale of these rides, particularly when they are photographed against an open sky. I also find working with such an imprecise and flawed camera to be a frightening and liberating experience, akin to being on a roller coaster.

Isa Leshko

Não é esta a essência da boa fotografia? Ter um projecto, adequar o equipamento ao mesmo e construir esse mesmo projecto?
E o exemplo de Wallace Billingham com uma Lomo e filme infra-vermelho? E como catalogar o trabalho de Steph Parke? É boa ou má fotografia? E é classificada de boa ou má por ser feita com uma Lomo ou por critérios de validade e qualidade estética?

Se vamos valorizar o trabalho artístico pelo uso do equipamento “correcto” como classificar o trabalho do pintor Jackson Pollock?

In the process of making paintings in this way, he moved away from figurative representation, and challenged the Western tradition of using easel and brush. He also moved away from the use of only the hand and wrist, since he used his whole body to paint. In 1956, Time magazine dubbed Pollock “Jack the Dripper” as a result of his unique painting style.

Wikipédia

O uso de ferramentas “fora do comum” não será uma forma de o artista enfrentar os cânones estabelecidos? E não são esses confrontos ensaiados por um conjunto de artistas que fazem um meio evoluir? Estará a fotografia tão petrificada que não permite que alguém use um equipamento não regulamentar como suporte de expressão fotográfica? Esse é de facto o problema do texto de NSD, depreende-se do mesmo que para fazer boa fotografia:
a) é necessário bom equipamento;
b) não ser um “tipo diferente” ou seja alguém que não agite as águas;
c) não pode fotografar o dia-a-dia;
d) não pode obedecer a certos dress-codes.

Portanto eu proponho que se deitem fora as Lomos, as Polaroids, as Dianas e que se use o iPhone apenas para telefonar dado que é impossível fazer boa fotografia com esse equipamento como Chase Jarvis prova nas suas mui fraquinhas fotografias…

Rules are mostly made to be broken and are too often for the lazy to hide behind

General MacArthur

Talvez o melhor e mais correcto seja não agitar muito as águas e seguir o que está estabelecido, até porque o estabelecido está provado e deus nos livre de querer seguir caminhos não trilhados, corremos sempre o risco de nos perdermos e isso nunca é bom. Portanto tirem as câmaras de grande-formato da prateleira, peguem nas folhas de filme e deitem fora as máquinas digitais, os scanners, as Lomo porque foi assim que os grandes mestres trabalharam com sucesso.

Acho que a criatividade e originalidade têm que andar lado a lado e se isso significa para determinado fotógrafo usar um equipamento fora do comum assim seja. Que o equipamento não sirva de escudo para resultados maus mas também não seja o principal responsável pelo sucesso de determinado projecto.
Um bom fotógrafo é um hábil mestre de combinar visão e equipamento e alinhar “olhar” e câmara para um resultado final fora do comum. E isso consegue-se com uma Nikon D3x ou com uma Lomo, se por trás de cada uma destas máquinas não estiver alguém criativo e original o resultado final é o mesmo: um falhanço rotundo. Conseguir realizar um projecto com uma máquina de 70€ num mundo que tem à disposição equipamentos na ordem dos 20.000€ é a prova de que a fotografia é um meio democrático onde um artista com visão a pode realizar sem grandes meios. Que isto incomode algumas pessoas é algo que me transcende…

17
Jan
11

Estação Imagem | Mora

O Prémio de Fotojornalismo 2010 Estação de Imagem | Mora está em exposição no CPF no Porto. É uma excelente oportunidade de ver como está a fotografia de reportagem em Portugal e de ver alguns dos melhores trabalhos publicados no ano de 2010; é também a primeira edição do Prémio de Fotojornalismo e a segunda edição já tem as inscrições abertas.

Em relação à exposição o destaque vai para o trabalho brilhante de Paulo Pimenta, um fotógrafo com uma visão de reportagem e de composição fenomenal. Dizer que é um grande trabalho de reportagem é minimizar este conjunto. Tive o prazer de trabalhar na Galeria Colorfoto com o Paulo Pimenta e além de excelente fotógrafo, o Paulo é a todos os níveis uma pessoa extraordinária. Mas as imagens são de facto brilhantes, com excelente composição e estética mas sobretudo é um trabalho lúcido que reflecte bastante bem sobre o tema retratado – a desactivação da linha do Sabor – bem como toda a envolvente humana e paisagística.

O trabalho de Ricardo Meireles sobre S. João da Madeira, um trabalho introspectivo, distanciado mas ao mesmo tempo envolvente. Tem um carácter bastante contemporâneo, quase de autor e isso destaca-o pela positiva, tem a tranquilidade de um trabalho em grande-formato mas acrescento que não conheço o suporte utilizado. Como reportagem é suficientemente diferente para ser um olhar único sobre o tema abordado, é mais arte do que reportagem é por isso tem a minha segunda preferência.

O trablho de Nacho Doce sobre um casal de idosos em que a mulher sofre de Alzheimer é uma peça tocante sem ser lamechas – desculpem a expressão – uma peça que foca a vida de um casal que aos 80 anos e confrontado com a doença se viu obrigado a uma troca de papeis, algo brutal para um homem de 82 anos. Pungente.

O trabalho do João Carvalho Pina sobre as favelas do Rio já é conhecido mas não deixa de ser uma boa surpresa ver este trabalho ao vivo e a força que o mesmo transmite. Outro trabalho a preto&branco – tal como o trabalho de Paulo Pimenta – que neste caso é uma escolha inteligente. É talvez um dos poucos portfolios que segue melhor os cânones do fotojornalismo e isto no bom sentido. Tem imagens onde se sente o perigo e a ameaça é quase palpável e isso é uma mais-valia deste conjunto.

Nelson Garrido tem um trabalho notável sobre a imigração da Mauritânia para os países da europa, em busca de uma vida mais digna. Um trabalho que contextualiza bem a situação que leva os habitantes deste país a deixar tudo para trás e bordo de frágeis barcos de madeira, a caminho de uma terra prometida que grande parte das vezes não os deseja.

O prémio é uma iniciativa excelente para a divulgação do bom fotojornalismo em Portugal e não podia ter começado de melhor forma, tal é a qualidade dos vencedores. É ao mesmo tempo uma nova perspectiva sobre o fotojornalismo, onde se dislumbram já novas linguagens, muito próximas de trabalho de autor, no geral já longe das linguagens muito marcadas do fotojornalismo: o trio guerra/crime/desporto.

Rating: ****

14
Jan
11

36 exposures

11
Jan
11

Espaço para reflectir…

Olhando para trás fico com uma sensação de que algo falta aqui neste blogue e na blogosfera portuguesa que se debruça sobre fotografia: reflexão. Afinal o que resta da espuma dos dias é o acto de reflexão e análise sobre determinado assunto, tudo o resto – apesar de ser informação – apenas remete para o ruído e para o esquecimento.
O problema é que no correr dos dias, na ânsia de estar em cima de toda e qualquer informação, que na hora parece vital, a reflexão é impossível. Ou talvez não… Apesar deste frenesim de informação existe espaço suficiente para deixar a poeira assentar e racionalizar sobre os temas que de facto são importantes ou essenciais para uma melhor percepção do estado actual da fotografia portuguesa. Existe um espaço para preencher nesse campo e ele deve ser preenchido porque no meu entender sem esse espaço de reflexão qualquer tentativa de entender a fotografia se revela difícil.
É verdade no que neste tempo facebookiano e twitteriano de pequenas mensagens de 100 a 300 caracteres, sem hiperligação logo sem possibilidade de sairem fora da rede onde foram publicadas, um texto um pouco mais longo – digamos 3000 ou 4000 caracteres – é um anacronismo sem apelo nem glamour, logo um candidato possível para o arquivo “das-coisas-que-irei-ler-um-dia-quando-tiver-um-intervalo-entre-a-refeição-do-gato-e-o-filme-das-10:30″. Mas a culpa não é só de quem lê mas em grande parte nossa – de quem publica sobre fotografia – porque nesse frenesim de publicar tudo como se o mundo dependesse misteriosamente da quantidade de posts publicados na rede nos esquecemos de que é preciso dar tempo a que os textos assentem e façam o seu papel: o de plantar no leitor o desejo de saber mais mas sobretudo o de desenvolver a sua linha de pensamento sobre o tema.

Para contradizer o que acabo de escrever este texto é pequeno mas serve para plantar em todos o que o leram o desejo de escreveram para além da espuma dos dias e que transformem os seus blogues em plataformas de discussão e de reflexão sobre fotografia. E eventualmente provar o meu próprio remédio e fazer eu próprio o mesmo. Ora aí está uma resolução para 2011 que é interessante, não acham?

06
Jan
11

Encontro de fotografia de natureza

No próximo dia 29 de Janeiro vai ter lugar em Vouzela o 1º encontro de fotografia de natureza, organizado pelo fotógrafo João Cosme. Estão já confirmadas várias presenças de fotógrafos profissionais de natureza e alguns colectivos pelo que espero um encontro interessante pelo menos na sua variedade.

Não espero grandes surpresas, mas posso estar enganado, e encontrar algo de muito novo e “fresco” neste tipo de fotografia, ou seja não espero encontrar algo que se possa definir como fotografia de natureza mas que esteja nos antípodas do que é habitual ver-se. Mas vou procurar lá estar, até para se provar que estou errado o que seria uma excelente notícia. De qualquer forma este encontro prova que a fotografia de natureza em Portugal está viva e mexe e será uma oportunidade de ver ao vivo os fotógrafos a explicarem o seu trabalho, o que é raro.

Dia 29 de Janeiro se gostam de fotografia de natureza não percam este evento.

03
Jan
11

Catálogo Land Rover Defender

Como alguns leitores se recordarão em junho coloquei a hipótese de trocar um Panda 4×4 por um carro melhor.
Uma das opções era o Land Rover Defender que acabei por não concretizar devido a não ser a viatura ideal para mim. No entanto reconheço a lenda e se a minha opção fosse comprar um segundo carro apenas para ir para o monte fotografar hoje estaria na minha garagem um Defender… Em termos puros de 4×4 é quase uma referência incontornável em termos de robustez e capacidade de transposição de obstáculos e de terreno difícil, na cidade é quase um peixe fora de água e um pouco desconfortável.

Mas o que me traz aqui hoje não é o carro em si mas o respectivo catálogo e adianto já que ao lado de catálogos de marcas premium é algo que não envergonha ninguém, já vi catálogos de boas marcas que à beira deste parecem fanzines mal amanhados. Mas vamos ao que interessa.


Com o catálogo nas mão vemos logo o que a marca pretende transmitir: ao contrário dos SUVs e pretensos todo-o-terreno aqui não não se “amacia” a questão, isto é carro de trabalho puro e duro, sem concessões nem modernices. Nesse aspecto o catálogo cumpre a 100% a função.
A fotografia poderia ser apenas utilitária mas está bem usada e implementada em todo o catálogo, com bom gosto e boa edição, cores soft para não desviar a atenção do essencial mas é eficaz a 100%.
Gosto do design do catálogo e da forma como as fotografias estão distribuídas pelas páginas, o que para mim diz muito sobre a equipa de design que o “desenhou”, mais uma vez estamos a milhas do habitual na indústria auto e está muito acima da média de tudo o que vi – e acreditem que vi muito.


Esta página é talvez a única onde a vertente trabalho é deixada de lado por momentos e onde a marca apela a um público mais descontraído e jovem, através dos desportos radicais. Tem outro pormenor: tem uma das poucas fotografias onde se vê uma mulher.

No geral é uma peça publicitária bastante apelativa, com boa fotografia, grafismo muito interessante e cuja concepção é pensada como um todo e para projectar o conceito da viatura. A impressão é magnífica, melhor que algumas revistas de topo, bom papel e tudo contribui para a experiência Defender. Nesse aspecto diria que é talvez um dos melhores catálogos auto do mercado e só por isso vale a pena passar por um stand e tentar obter um. É mesmo muito bom…

Uma nota final para o Marco Barbosa que na altura de trocar de viatura não se esqueceu de mim e me deu acesso a este catálogo. Para ele o meu maior agradecimento.

09
Out
10

Focus on your passion


Uma entrevista com Tim Mantoani bastante interessante.




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"Eu não quero saber se sou o primeiro a dar a notícia, só me preocupo em ter a informação correcta e fazê-lo bem. Essa é uma pressão diária."

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[este é o meu sítio pessoal onde estão os meus projectos já consolidados e acabados]

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[aqui estão os rascunhos dos meus projectos correntes e inacabados]

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