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Diogo Bento na Imagerie (Lx)
Diogo Bento apresenta na Imagerie (Rua das Francesinhas, 21A, 1200-675 Lisboa) a sua exposição ‘Pistas para uma paisagem, Cabo Verde’.
Tive o prazer de trabalhar com o Diogo quando apresentou esta mesma exposição na galeria Colorfoto (na qual sou comissário) por isso sou um pouco suspeito de falar sobre este trabalho mas de qualquer forma aqui vai:
É um excelente primeiro trabalho, o Diogo tem uma forma muito vincada na forma como fala sobre o seu trabalho e sobretudo como quer apresentá-lo ao público. dito isto o trabalho a preto&branco (filme digitalizado e impressão inkjet) é cativante e prende a atenção, sobretudo pela forma como utiliza as sombras que para mim são uma característica do seu trabalho e o Diogo não tem medo de trabalhar com imagens assim, escuras, algo sombrias mas com uma luz própria que se revela desde o seu interior. A impressão em papel mate faz toda a diferença assegurando o silêncio destas imagens.
No global é um trabalho fresco, cheio de energia própria de quem começa, original e com uma marca vincada. Espero muito do Diogo no futuro e acho que tem espaço para crescer bastante.
Para aqueles que não puderam estar na exposição na galeria Colorfoto, aqui fica o texto que escrevi a propósito desta exposição e onde podem ficar com uma ideia do que podem encontrar.
“Pistas para uma paisagem, Cabo Verde.
De novo Cabo Verde cruza a minha escrita, o meu trabalho de comissário. A paisagem trabalhada, plantada, cresce nestas fotografias ao ritmo próprio de um país longínquo e um tanto desconhecido.
Desta vez a paisagem humanizada – selvagem e domada ao mesmo tempo. E o que dizer sobre o motivo ‘paisagem’ na fotografia que já não tenha sido escrito?
Hoje a paisagem – tema fotográfico por excelência – é claramente um género mal apreciado pela crítica e pelos coleccionadores de arte fotográfica. É uma questão interessante de analisar, porque é que a paisagem, tão apreciada durante décadas, sofre de um certo abandono e rejeição por parte da crítica especializada.
E é precisamente aqui que chegamos ao trabalho do Diogo Bento, é neste panorama que arrisco este tema – a paisagem – para uma nova exposição.
Há muito que Terry Barrett se bate por uma nova taxonomia na fotografia contemporânea que justamente ignore o tema/assunto e se concentre não nesse ponto particular da produção fotográfica mas sim na função final com que as fotografias são produzidas (1). Digamos então que estas fotografias não são fotografias de paisagem, são sim, e segundo Terry Barrett, fotografias interpretativas.
Diogo Bento apresenta-nos a sua interpretação da paisagem de Cabo Verde, do seu ponto de vista de arquitecto paisagista mas também do seu ponto de vista de fotógrafo e é a sua interpretação pessoal e subjectiva que nos é apresentada nestas fotografias.
Estas fotografias deixam-nos pequenas pistas visuais sobre a intervenção humana nestas paisagens e subtilmente interpreta os acontecimentos que levaram a essas intervenções. Desta forma Diogo Bento interpreta a paisagem e coloca-a no centro da discussão sobre os efeitos das alterações a que paisagem e populações têm sido sujeitas, numa luta onde muitas vezes a paisagem é subjugada às necessidades das populações que resolvendo hoje um determinado problema – seja a fome, seja a necessidade de construção ou outra – que por vezes abre caminho a um problema maior no futuro. E no entanto as alterações, subtis ou brutais, estão lá e é esse cenário que o fotógrafo nos apresenta.
Mas também nos propõe outra discussão: quem efectuou estas alterações, quem foi responsável pelas mesmas? Mais uma vez as questões inerentes à colonização de África se colocam, sabendo que muitas vezes as populações estão a sofrer as consequências de actos ambientais para os quais não foram ouvidos nem foram responsáveis.
As suas fotografias são também esteticamente apelativas, Diogo Bento procura a beleza – embora uma beleza no sentido contemporâneo da palavra – nas situações quotidianas, nos pequenos pormenores, num jogo permanente de pistas visuais da rotina normal e da paisagem. A beleza do que nos escapa por ser habitual que catalogamos de banal mas que muitas vezes nos escapa mesmo à frente dos nossos olhos, única e verdadeira.
Diogo Bento propõe assim uma interpretação sobre a paisagem mas também sobre o que ela é hoje, sabendo que a paisagem abarca um horizonte alargado de motivos que acaba por se transformar em algo tão abstracto que se torna indefinido e impossível de descrever. Procura assim através deste trabalho contribuir para um conceito de paisagem contemporânea que não evita retratar a intervenção nos terrenos, outrora selvagens, por parte das populações e empresas. Mostra-nos também toda a beleza – a beleza vista pelos seus olhos – que captou nestas imagens e que nos mostra agora. E isso transforma este trabalho num projecto poderoso, capaz de nos pôr a pensar, a olhar e a reflectir.
Mário Venda Nova, 2009
(1) Terry Barrett, How to Criticizing Photographs, Ed. McGraw-Hill 2006″
Aqui está o vídeo da montagem e inauguração da exposição do José Júpiter, Nunca, na galeria Colorfoto.
Nunca
É com enorme prazer que anuncio esta nova exposição na galeria Colorfoto, “Nunca” de José Júpiter (pseudónimo de José Carlos Duarte).
Esta é a difícil terceira exposição e reúne as condições para ser uma exposição excepcional. Não percam a inauguração no próximo dia 28/Nov. às 16:00.

O José Duarte tem a sua exposição A&J patente na Fnac de Sta Catarina até ao próximo dia 03/Dez. Este trabalho ganhou o prémio ‘menção especial’ do concurso novos talentos da Fnac 2008 e assim vai estar em exposição pelas várias Fnacs espalhadas pelo país numa espécie de nomadismo cultural que esta cadeia tanto aprecia.
Sem me querer alongar demasiado no como e no onde, até porque sou comissário de uma galeria ligada à fotografia, vou directo ao trabalho do José Duarte.
Agrada-me sobremaneira a forma como o fotógrafo agarrou na oportunidade de ‘ver’ a fotografia do social (neste caso específico o casamento) e o subverteu através do uso inteligente de uma linguagem própria.

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Está mesmo nos últimos dias mas nem por isso devem perder esta exposição no CPf. A exposição ‘Nas fronteiras do mar’ é uma viagem pelo tempo e pela memória, seja ela individual ou colectiva. Para isso o fotógrafo captou pequenos instantes suspensos entre o passado e o presente numa linguagem visual interessante e que serve os propósitos do seu conceito; apresentada através de fotogramas de cor pálida e ‘dessaturada’ com uma ligeira dominante amarela, também aqui o fotógrafo joga magistralmente bem com o (tempo) passado e com o conceito de amarelecimento das fotografias com o passar dos anos, fenómeno bem conhecido de quem guarda fotografias como memórias e recordações.
Continue reading ‘Exposições – Giovanni Chiaramonte no CPf.’
Exposições – J. Laurent no CPf.
Este fim de semana foi mais uma vez a festa da arte em Miguel Bombarda mas reconheço que passei por lá muito rapidamente, nenhuma exposição de fotografia à vista, muita gente na rua e para mim celebrar a arte não é coisa que se faça numa tarde de dois em dois meses, para mim é algo que se celebra todos os dias. Mas devo estar em minoria porque dada a afluência semanal às galerias, a festa deve dar só para um presença bimestral. Numa nota particular notei que nas ruas da zona onde existem galerias fora deste circuíto estavam às moscas, o segundo espaço da Fernando Santos, a pouco mais de cem metros da galeria principal em Miguel Bombarda, estava vazio…
Mas a proximidade do CPf salvou a tarde. Um dia destes tenho que realmente passar a escrito aquilo que guardo para mim sobre o CPf mas esta não me parece o tempo próprio mas algo vai mal debaixo dos tectos daquele edíficio que neste momento me leva a considerar que aquilo está sem um rumo definido e que mesmo em dia de celebração da arte não atrai público. De facto nas duas exposições que visitei, apenas um casal de espanhóis me fez companhia, o que diga-se em abono da verdade é absolutamente marginal para um espaço como aquele. Mas de volta às exposições…
Neste momento o CPf tem patentes duas exposições, a de J. Laurent e a de Giovanni Chiaramonte, a que dedicarei outro artigo em seguida. A de J. Laurent é um exímio exemplo do que o CPf é bom: fotografia de autor, histórica e com contexto à sua época.

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