“Without poets, without artists, men would soon weary of nature’s monotony.”
Guillaume Apollinaire
“Without poets, without artists, men would soon weary of nature’s monotony.”
Guillaume Apollinaire
Se pudesse viver de novo a minha vida,
tentava dar mais erros da próxima vez,
não tentava ser tão perfeito,
relaxava mais.
Seria mais tolo do que fui.
Na verdade, levava muita pouca coisa a sério.
Seria menos higiénico.
Corria mais riscos,
viajava mais,
contemplava mais entardeceres,
escalava mais montanhas, nadava em mais rios.
Ia a outros lugares onde nunca fui,
comia mais gelados e menos favas,
teria mais problemas reais e menos imaginários.
Fui daquelas pessoas que viveu sensata e
plenamente, cada minuto de sua vida;
é claro que tive momentos de alegria.
Mas se pudesse voltar atrás, tentava
viver apenas os momentos bons.
Porque, se não sabem, é deles que a vida se faz;
de momentos apenas; não percam o agora.
Eu fui daqueles que jamais
ia a lado algum sem um termómetro,
uma botija de água quente,
um chapéu-de-chuva e um pára-quedas;
se pudesse voltar a viver, viajava mais leve.
Se pudesse voltar a viver,
começava a andar descalço no começo da primavera
e andaria descalço até ao fim do outono.
Dava mais voltas de carrossel,
comtemplava mais madrugadas,
e brincava com mais crianças,
se tivesse uma vida à minha frente, outra vez.
Mas já viram que tenho 85 anos
e sei que estou a morrer.
Jorge Luís Borges (1899-1986).
“Masterpieces are always fortuitous attempts”
George Sand
Never more will the wind
cherish you again,
never more will the rain.
Never more
shall we find you bright
in the snow and wind.
The snow is melted,
the snow is gone,
and you are flown:
Like a bird out of our hand,
like a light out of our heart,
you are gone.
Hilda Doolitle (1886 – 1961)
envolto num lençol de cal duas cintilações
sobre as pálpebras húmidas e um ardor perfura
a noite onde uma ponte atravessa um rio
o voo é demorado
ficaste a saber que nem deus é eterno
desfez-se o erro daquilo que criou perdeu-se
nas suas imperfeições e certezas
agora
pela janela do avião vês como tudo é mínimo
lá em baixo – quando a oriente da loucura
a mão cinzenta do inverno perdura no rosto
daqueles que sonolentos viajam dentro
deste pequeno túmulo de serenidade
Al Berto
“Every man’s work is always a portrait of himself.”
Ansel Adams
“From the first moment I handled my lens with a tender ardour.”
Julia Margaret Cameron.
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