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Dez
09

A fotografia como sopa instantânea…

(ligação directa para o vídeo)

Este é o presente da fotografia em Portugal? Meia dúzia de frases sem sentido, uma máquina digital, um cemitério e um bar como estúdio, não sei por onde começar, se pelas fotografias se pela inexistência de uma corerência se pela falta de imaginação ou pela ligeireza com que tudo é abordado.

Este exemplo, mas poderia encontrar centenas deles, é apenas a face visível de uma certa forma de estar na fotografia que infelizmente começa a grassar um pouco por todo o lado onde estejam duas pessoas com uma máquina na mão: a certeza de que todos somos fotógrafos. E de facto somos mas num sentido mais estreito nem todos o são. Ser fotógrafo é mais do que ‘fazer uma loucura’, significa ter um plano, um projecto, sentido estético e de organização visual. Aqui nada disso acontece, é tudo tão efemero, tão no limiar do banal que sinceramente fico estarrecido com a facilidade com que este tipo de discurso chega aos ecrãs de televisão. Este discurso, ou a ausência dele se quiserem, é apenas sinónimo de falta de alicerces sólidos de fotografia ou de conhecimento do que é na realidade ser fotógrafo, da visita ao site verifico que desde a paisagem ao nú, do fotojornalismo ao retrato não há um único tema que não esteja abordado pele Daniel Pedrogram e isso lamento dizer mas é um sinal evidente que de facto não existe uma coerência estética e que experimentar tudo até acertar é a única opção que resta. Das fotografias não há muito a dizer excepto que não existe uma única que se destaque no meio do ruído visual, a coerência não está lá e o conceito de triagem é tão atabalhoado que praticamente não se pode afirmar que exista.

Em visita rápida pelo Olhares, a plataforma que tem gerado algumas colaborações com o CPf sabe deus como, e pela página do fotógrafo reparo em verdadeiras pérolas de discurso auto-descritivo:
“Mais cenas minhas:” – usada para listar todos os sítios por onde anda a postar fotografias,
“Coments que curti:” – usada para listar uma série interminável de comentários, alguns em mau português, que sendo completamente inócuos não adiantam muito ao discurso geral.

Se de facto a elevação de um discurso em matéria visual – seja ele sobre fotografia ou sobre outra arte visual – é essencial para a constituição de um espírito crítico por parte do público então a mediatização de abordagens deste tipo só produzem ruído e apenas confundem quem deseja ter uma visão clara do que é a fotografia. Confundir isto com fotografia não só é mau como não ajuda em nada a real percepção do que é ser fotógrafo.


2 Respostas to “A fotografia como sopa instantânea…”


  1. Dezembro 11, 2009 ás 1:29 am

    oh santa engrácia! este foi o vídeo do mês! que galhofa! obrigada!

    “é assim” mário (como diz o gajo das “cenas muita malucas”), não devias perder tempo com mediocridades porque não vale mesmo a pena!

  2. Dezembro 11, 2009 ás 6:51 pm

    Mas é importante divulgar isto em contraponto a trabalhos sérios e interessantes porque sem conhecer o mau é difícil depois conhecer o bom ou seja é sempre preciso uma visão global. E cenas malucas são sempre importantes :)


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