Por vezes puxar os limites do que fazemos pode ser bom. Limitar ao mesmo tempo, simplificar, as ferramentas usadas. Assim nasce o ‘contos de uma cidade silenciosa‘. Nasce de uma necessidade de traçar novos rumos, puxar os limites do que faço, sair de uma certa zona confortável e confrontar alguns fantasmas. Nasce da necessidade de depurar técnicas e ferramentas e para isso nada melhor do que uma câmara que está sempre à mão: a do telemóvel. Neste caso um BlackBerry 9000.
O conceito gira à volta da solidão, tristeza e do número nove. Apesar de estarmos sempre ligados – seja via telemóvel, internet, email, computador, etc. – o sentimento de solidão e isolamento é cada vez maior. Cada vez mais os centros das cidades são abandonados ao final de um dia de trabalho e hordas de carros e pessoas regressam às suas casas numa rotina infindável, ‘amaciada’ por um consumo desenfreado que disfarça o vazio que cada um de nós sente diariamente.
Mas o 9 tem um significado especial, e não só na cultura chinesa, mas na mitologia de diversas culturas, estando associado em quase todas à medida exacta da busca de proveito, ao corolário dos esforços, ao encerrar de um ciclo e início de outro superior, já que é o maior número singular.(…)
Nove é também o número de esferas celestes, de oríficios do corpo humano e dos meses de gravidez.(…)
A cultura japonesa é provavelmente uma excepção no que se refere à simbologia em que o número nove está envolvido, estando associado a azar e sofrimento.(…)
fonte: DN.
Começando hoje serão publicadas três fotografias por dia, ao fim de três dias serão nove (três dias são 72 horas e 7+2 é igual a nove), sempre publicadas às 03:00, 12:00 e 21:00. A soma destes números é 36, cuja soma (3+6) é igual a nove.
É certamente o início de um ciclo novo, talvez de sorte, talvez de sofrimento, talvez de azar.
As fotografias são a preto&branco e saem assim do BlackBerry ou seja não têm nenhum pós-tratamento digital. Estou bastante interessado num trabalho ‘visceral’ sem intermediários, tal e qual como sai da câmara, se sair bem fica, se sair mal é eliminado.
As influências são várias desde a fotografia japonesa à BD, passando pela música e pela poesia, memórias de canções e textos que li desde que me conheço. O nome do projecto nasce do nome de uma música de um grupo e que surgiu numa pesquisa no iTunes com a finalidade de fazer uma pesquisa para dar título ao projecto (é assim que nascem todos os títulos dos meus projectos). Depois de ter o conceito do projecto e de ter o esqueleto do que pretendo fazer vou à procura do título de uma música (ou muito raramente de um disco) que se adapte ao projecto.

:) GOSTO! boa sorte
Obrigado :)