O José Duarte tem a sua exposição A&J patente na Fnac de Sta Catarina até ao próximo dia 03/Dez. Este trabalho ganhou o prémio ‘menção especial’ do concurso novos talentos da Fnac 2008 e assim vai estar em exposição pelas várias Fnacs espalhadas pelo país numa espécie de nomadismo cultural que esta cadeia tanto aprecia.
Sem me querer alongar demasiado no como e no onde, até porque sou comissário de uma galeria ligada à fotografia, vou directo ao trabalho do José Duarte.
Agrada-me sobremaneira a forma como o fotógrafo agarrou na oportunidade de ‘ver’ a fotografia do social (neste caso específico o casamento) e o subverteu através do uso inteligente de uma linguagem própria.

Tenho estado bastante atendo à carreira do José Duarte (aliás já falei aqui algumas vezes dele, a primeira vez em 2008 ainda no flickr e em Janeiro deste ano entrevistei-o para a série de entrevistas curtas) e gosto particularmente do seu trabalho onde os espaços surgem como pequenos fotogramas de uma história inacabada ou em aberto, pequenos filmes de solidão e de silêncio. Como referi atrás o José pegou nessa sua linguagem e usou-a neste trabalho onde se lêem pequenos pedaços de uma cerimónia através do olhar do fotógrafo.

Neste trabalho nada é mostrado explicitamente como se o José quisesse deliberadamente deixar ao receptor a composição da história real através de pequenos fragmentos e assim cada um compor uma narrativa à sua vontade. As imagens contêm uma tristeza latente e o sentimento de solidão tão habitual ao trabalho do José Duarte, reforçados por um certo sabor de fim de festa espelhado pela criança que dorme ou pelos pratos arrumados a um canto de uma cozinha. Sinto o silêncio apesar de ser uma festa e por momentos imagino um sonho do qual quando acordamos recordamos apenas breves imagens.
É um trabalho fora do habitual dentro desta categoria e José Duarte realizou um trabalho inteligente e imaginativo para sair fora dos espartilhos impostos por este tipo de fotografia: encenação, realismo, técnica e rigor. Ao usar uma Lomo Holga com o seu formato quadrado, uma lente plástica e falta de definição o José quis marcar o carácter de sonho e de silêncio, de fotograma de história em aberto deste trabalho. E na minha opinião consegui-o.

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