Este fim de semana foi mais uma vez a festa da arte em Miguel Bombarda mas reconheço que passei por lá muito rapidamente, nenhuma exposição de fotografia à vista, muita gente na rua e para mim celebrar a arte não é coisa que se faça numa tarde de dois em dois meses, para mim é algo que se celebra todos os dias. Mas devo estar em minoria porque dada a afluência semanal às galerias, a festa deve dar só para um presença bimestral. Numa nota particular notei que nas ruas da zona onde existem galerias fora deste circuíto estavam às moscas, o segundo espaço da Fernando Santos, a pouco mais de cem metros da galeria principal em Miguel Bombarda, estava vazio…
Mas a proximidade do CPf salvou a tarde. Um dia destes tenho que realmente passar a escrito aquilo que guardo para mim sobre o CPf mas esta não me parece o tempo próprio mas algo vai mal debaixo dos tectos daquele edíficio que neste momento me leva a considerar que aquilo está sem um rumo definido e que mesmo em dia de celebração da arte não atrai público. De facto nas duas exposições que visitei, apenas um casal de espanhóis me fez companhia, o que diga-se em abono da verdade é absolutamente marginal para um espaço como aquele. Mas de volta às exposições…
Neste momento o CPf tem patentes duas exposições, a de J. Laurent e a de Giovanni Chiaramonte, a que dedicarei outro artigo em seguida. A de J. Laurent é um exímio exemplo do que o CPf é bom: fotografia de autor, histórica e com contexto à sua época.

De facto é uma exposição de fotografia histórica bem contextualizada e bem apresentada. Enquadra o trabalho na sua época e apresenta não só as fotografias originais mas também algum do equipamento utilizado para as fazer, livros e revistas da época. Interessante também a presença de catálogos de outras exposições deste fotógrafo um pouco por essa europa fora.

Como documento histórico é uma exposição bem conseguida e avassaladora no sentido que nos dá uma imagem do séc. XIX na europa e no nosso país e nos obriga a repensar onde estamos em face de onde viemos. Um documento interessante também pela técnica fotográfica e nesse aspecto imperdível.


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