
Está mesmo nos últimos dias mas nem por isso devem perder esta exposição no CPf. A exposição ‘Nas fronteiras do mar’ é uma viagem pelo tempo e pela memória, seja ela individual ou colectiva. Para isso o fotógrafo captou pequenos instantes suspensos entre o passado e o presente numa linguagem visual interessante e que serve os propósitos do seu conceito; apresentada através de fotogramas de cor pálida e ‘dessaturada’ com uma ligeira dominante amarela, também aqui o fotógrafo joga magistralmente bem com o (tempo) passado e com o conceito de amarelecimento das fotografias com o passar dos anos, fenómeno bem conhecido de quem guarda fotografias como memórias e recordações.

No entanto acho a exposição algo desequilibrada, talvez com algumas imagens a mais do que realmente devia, o que não ajuda à leitura do trabalho no geral. Talvez com menos imagens fosse possível chegar ao fim com uma visão clara da intenção do fotógrafo mas a exposição foi montada assim e é assim que a devemos ver e analisar, a montagem segue a tradicional fila de molduras o que neste caso é neutral, apesar de ter a opinião que nestas salas o CPf poderia fazer o que faz nas salas do andar de baixo ou seja experimentar outro tipo de montagem.
No geral é um trabalho satisfatório, com uma noção marcada de tempo vivido e de memória em confronto com um tempo estático e inamovível, com incerteza se é passado ou presente. É mais uma vez uma aposta num nome desconhecido do público mas com um currículo internacional forte e que deveria ter sido objecto de outra narrativa expositiva.
Está patente até o próximo dia 15 deste mês.


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