Quando há cerca de seis meses li um artigo sobre como tornar uma Leica (qualquer Leica e apenas Leica) num professor no ‘the online photographer‘ – e as suas sequelas: ‘porquê uma Leica‘ e ‘variações de um tema‘ – reconheço que não lhe prestei muita atenção; li e apreendi o conceito mas toda a mística à volta do nome Leica não me levou a profundar o tema.
Mas 2010 está ai e quando comecei a procurar formas de melhorar composição e grafismo lembrei-me dos artigos e apenas uns segundos depois – maravilhas da rede global e do Google – estava de novo a ler os mesmos.
O que também me despertou para este projecto foi o início de uma colecção e de um momento para o outro tenho na minha mão uma Nikon F3 (1980) em excelente estado e a funcionar razoavelmente para a idade. Adquirida através do eBay, usada e através de vendedor/loja com alguma confiança.
Mas a F3 interessou-me (a F3 na Camerapedia e no Camera Site), não só pelo legado histórico, mas pelas possiblidades de uso; uma máquina pequena, leve e inteiramente mecânica (bem, não inteiramente mas funciona com uma pilha botão e pode em caso de avaria ser disparada com um pequeno manípulo que tem). Isso e o facto de que tenho em casa uma caixa de filme Kodak Tri-X guardada no frigorífico à espera de dias melhores. E de repente encontro-me a ler os artigos no ‘the online photographer’ não com um interesse pelas Leicas mas pelo projecto em si.
E o projecto é simples e rápido de descrever: um ano, uma câmara e um filme. O objectivo também é simples: aprender a ‘ver’, disparar o máximo de rolos, revelar, visualizar e aprender a reconhecer formas e a luz.
No meu caso a Leica é substituída por uma Nikon F3 mas tudo o resto se mantém, vou usar uma lente 28/f2.8 que andava cá por casa e que já esteve para ser vendida e vou usar o filme Kodak Tri-X 400ASA. Também já sei que projecto vou efectuar com o conjunto e será algo muito fora do meu habitual mas mais detalhes ficam para depois de ter o projecto pronto…
Posso adiantar que se trata de um projecto de rua, longe dos campos e montanhas idílicas que costumo percorrer, será inteiramente feito em formato analógico para ser impresso em tamanho A4 e totalmente a preto&branco. Interessa-me particularmente o modo como vou concretizar esta ideia na película e como transmitir a mensagem que delineei de uma forma subtil. Será um desafio que me vai obrigar a sair da minha zona de conforto e isso só pode ser bom.
1 Resposta to “Um ano, uma câmara, um filme.”