“What we do during our working hours determines what we have, what we do in our leisure hours determines what we are.”
George Eastman
É sempre uma discussão, esta do ser e do ter, interessante de debater com fotógrafos. Se por um lado a fotografia é arte por outro lado é inegável o lado técnico e tecnológico e perceber até que ponto cada um dos lados influencia o outro é uma discussão com possibilidades infinitas.
Será um fotógrafo cada vez melhor se tiver mais e melhor equipamento? Será a arte independente das ferramentas?
Acho que a questão central deste debate será sempre o de cada um ter as ferramentas necessárias para atingir os objectivos a que se propõe, aqui é que reside o problema de facto nos debates em torno dos equipamentos fotográficos, é que sem objectivos claros qualquer justificação serve para comprar uma nova máquina, uma nova lente ou uma nova impressora. Poder ter e manusear o melhor e mais recente equipamento, custe ele 1.000€ ou 10.000€, é uma justificação perfeitamente aceitável do ponto de vista da justificação da aquisição, do ponto de vista da utilização é fraca razão para o justificar e muitas vezes o Ter é mais forte do que o Ser. Resolver uma falta de inspiração ou tentar lutar contra a mesma empurrando o problema para a frente, gastando dinheiro numa nova lente que de repente vai resolver tudo é o caminho mais certo para ter uma excelente colecção de equipamento ao fim de uns anos mas também uma colecção impressionante de fotografias medianas…
Um fotógrafo, dizem que eu não tenho assim tanta certeza, fotografa com qualquer coisa nem que seja um pinhole feita com uma lata. Talvez. Mas um fotógrafo sentado numa margem de um rio à procura de fotografar uma garça real, chegaria a casa sem nada publicável e vendável.
Se as ferramentas não fazem o artesão, as ferramentas apropriadas fazem toda a diferença. Saber o que usar, quando o usar e porque o usar são apenas algumas das muitas decisões criativas que um fotógrafo tem que tomar. Um bom fotógrafo não compra uma lente (substituir por máquina, tripé, filme, o que melhor se adaptar a cada caso) que depois encaixa no seu método de trabalho, um bom fotógrafo compra uma nova lente porque para atingir determinado objectivo criativo precisa dessa lente.
Olhar, ver, sentir e fazer a fotografia são talvez as melhores ferramentas que os fotógrafos têm à sua disposição. Ter objectivos claros e bem definidos antes de carregar a mochila é meio caminho para fazer boas fotografias; trabalhar para um livro, uma exposição é trabalhar para um fim, sair e fazer algumas fotografias sem esse foco central é apenas trabalhar para o stock e nada mais. E o stock é algo que se mostra à família, aos amigos mas que dificilmente impressiona alguém fora desse círculo. Para atingir objectivos mais audazes temos que ser capazes de os impor a nós mesmos mas sobretudo ser capazes de os cumprir. Até ao fim. E sobretudo procurar não disfarçar a falta de objectivos com o excesso de equipamento.
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