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Arte acessível? Depois do conceito introduzido pelo 20×200 os sítios online de venda de arte acessível têm-se replicado. Ainda é cedo para perceber o alcance e o impacto destas iniciativas no contexto global do que é hoje a fotografia e qual o papel da democratização do suporte na eleição da fotografia como a arte ‘pop’ do séc. XXI. Mas torna-se bastante interessante verificar que esta nova forma de comercializar arte se está a tornar uma excelente rampa de lançamento para novos talentos, artistas que de outra forma nunca chegariam às galerias mas porém verifica-se uma certa uniformidade de ‘linguagem’ que contradiz toda a pluralidade de artistas que têm surgido.
Jorge Colombo na 20×200
O artista português Jorge Colombo tem à venda na 20×200 quatro ilustrações muito interessantes. A particularidade destas ilustrações é que foram produzidas com uma aplicação para o iPhone/iPod Touch chamada Brushes. Uma bela forma de aplicar tecnologia corrente e barata para produzir obras de arte…
(Para os mais curiosos existe um grupo no Flickr onde podem encontram obras efectuadas com esta aplicação).
Symphony’s channel no YouTube
O YouTube reuniu uma série de músicos clássicos amadores e profissionais através de um concurso para tocarem no Carnegie Hall uma peça composta expressamente para esta ocasião pelo célebre compositor Tan Dun. O vídeo ‘mash-up’ da sinfonia com várias selecções de músicos que concorreram é fantástico. O acto I já está disponível para visualização na plataforma.
Hiroshi Sugimoto faz acordo mediaval com os U2
Basicamente é um sistema de troca directa: o fotógrafo dá a fotografia para a capa do disco, os U2 cedem-lhe músicas para futuras instalações do artista, nada de surpreendente. Espantam-se algumas afirmações de que isto é uma machada na fotografia, que a arte não é moeda de troca, etc. Para aos mais distraídos gostaria de recordar o bom velho hábito de troca de ‘prints’ entre fotógrafos, que se perdeu agora porque é preciso vender fotografia e isso entra em choque com essa prática. Mas era interessante ver dois fotógrafos que se admiravam mutuamente a trocar impressões fotográficas que depois constituiam o seu ‘espólio’. O Moby tem um sítio onde tem várias músicas que a pedido podem ser usadas gratuitamente em suportes artistícos (filmes, curtas, animação, slideshows, etc.), é menor artista por isso? Alguém questiona o espólio das galerias? Ou o dinheiro já manda mais que a vontade do artista? Sugimoto não está a dar a sua arte de borla mas nas mentes brilhantes de alguns teóricos a coisa pode criar um precedente perigoso. Para quem?…
Na minha matemática simples U2 e fotógrafo ficam a ganhar sem gastar um cêntimo e pode criar um modelo alternativo de negócio para os tempos de crise que correm. Se irá conseguir impor-se ou não logo se verá.
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