Há qualquer coisa de absolutamente desarmante no olhar deste jovem, uma dos milhares de vitimas do conflito no médio-oriente. Kike Arnal lança um olhar profundo nas pequenas grandes causas esquecidas, sejam os estropiados pelas bombas israelitas sejam os agricultores de uma pequena província mexicana. As imagens fortes fazem-nos enfrentar o olhar dos intervenientes, Kike Arnal foge ao dramatismo fácil mas consegue mostrar um certo resignio – ou talvez uma amarga aceitação do destino – dos retratados.
São imagens com poder, imagens fortes mas a questão fulcral é até que ponto já não estaremos meio anestesiados, já a roçar a insensiblidade, pelo excesso de exposição a imagens deste tipo. Mas o poder destas fotografias reside na desarmante falta de dramatisto mediático, no contraste do preto e do branco, na sua mensagem subliminar de que todo o sofrimento é brutal, na resignação dos retratados e sobretudo na força com que aceitam o seu destino, mesmo que lhes seja severamente adverso. Na sua simplicidade aceitam a sua fatalidade como uma prova de vida.
©
©
0 Respostas to “kike arnal.”