As fotografias não nascem espontâneamente. Além de trabalho (e dedicação, acrescento) é preciso uma certa logística para as ir fazer, nunca tinha reflectido sobre a ‘produção’ necessária para ir fotografar, quase parece uma produção de cinema mas de facto até que as fotografias apareçam no ecrã no iMac houve trabalho pelo caminho.
A preparação começa na quinta-feira, o iCal avisa-me de ir consultar o AccuWeather para ver o tempo nos locais habituais, para não perder tempo agendei para o ano todo este alarme. Se o tempo está bom para fotografar (todo o tempo é bom excepto chuva forte e trovoadas), é necessário tratar de tudo o resto: mochila, roupa, alimentação e combustível.
A mochila leva o equipamento necessário ao que levo na ideia para fotografar e o que vai lá dentro depende também se me vou apoiar na viatura 4×4 ou se vou fazer o percurso a pé. Tenho que assegurar que as baterias da máquina são carregadas na sexta e levo sempre duas carregadas, ou se achar que vou fotografar mais do que o habitual levo três, nesta caso levo também o Jobo Giga One de 40GB. Os cartões devem estar ‘limpos’ e preparados para serem usados de imediato. Se o tempo ameaça uns choviscos levo uma capa de protecção para a mochila – uma Lowepro micro trekker 200. Tenho que preparar o tripé e montar uma rótula em função se vou usar ou não a AF-S 300/2.8 G VR.
Se for andar muito a pé e levo a 300/2.8, uso uma Lowepro micro trekker 100, apenas com a Nikon D200 mais um objectiva macro para viajar mais leve (a 300/2.8 pesa três quilos…).
A roupa depende do tempo que vou enfrentar mas a minha filosofia tem sido não poupar nas camadas mais junto ao corpo: camisolas interiores, calças e meias. O calçado tem que ser bom e específico de montanhismo, qualquer outra coisa não cumpre e os pés sofrem. As calças devem ser boas e resistentes, de materias transpiráveis. No inverno uso botas com membranas Gore-tex, no verão calçado mais leve. Em função do tempo, preparo então a roupa. Como posso fotografar fins de semana consecutivos tenho que ter algumas peças em duplicado para o caso de no inverno não secarem de uma semana para a outra.
A alimentação é simples, como vou para locais longíquos levo sandes, para beber sempre chá e/ou água, nunca esqueço fruta e barras energéticas (quatro no mínimo). No inverno sabe bem levar uma termos de chá bem quente para depois beber ao final de uma dia de andar a fotografar ao frio (no inverno Bertiandos tem uma média de temperaturas a roçar os zero graus).
Tenho que assegurar que o carro tem combustível, sobretudo se vou fazer percursos todo-o-terreno. Nesse caso atesto sempre o depósito. Se forem distâncias muito grandes, procuro sempre saber onde é a bomba de combustível mais perto do local para que tenha meios de encher o depósito, de preferência até às 22hrs. Nunca vou para locais desconhecidos sem GPS e preferencialmente nunca vou sozinho. Levo sempre telemóvel com carga completa e uma pequena soma em dinheiro (20-30€). Também nunca me posso esquecer de levar a chave de segurança das jantes, sem a qual não posso mudar um pneu em caso de furo.
Portanto além de estar inspirado tenho que estar preparado e assegurar que nada nesta produção falha, uma falha pode significar ficar no meio de uma serra sem combustível, furar um pneu e não o poder mudar ou perder-me, pode significar passar frio, ficar sem comer ou com a roupa encharcada e sem poder comunicar, situações nada agradáveis sobretudo no inverno.
Viva,
Depois desta exaustiva descrição de facto penso que não deve ter faltado referir nada… Com o tempo certas coisas começam a ser intuitivas, mas há sempre qualquer coisa que falta! Pelo menos comigo!
E quando pensamos fotografar uma coisa e no local dizemos: – Epá, se eu tivesse trazido a objectiva A ou B é que era! Bolas, nunca pensei que podia precisar dela aqui!
Como curiosidade e se me é permitido posso contar uma história engraçada que se passou comigo.
- Certo dia, através de contacto com uma pessoa, surgiu a oportunidade de ir fotografar aves para a zona de Castelo de Paiva, designadamente tendo acesso ao interior da área onde se situam as Minas do Pejão, minas essas encerradas ao comum dos cidadãos há anos.
Combinado previamente com o guarda do local, efectivamente quando lá cheguei estava o portão somente encostado de maneira a poder entrar.
Pois bem, como é perto não houve a necessidade de fazer nenhuma “Check-list” exaustiva como a que descreveu, mas de qualquer maneira lá carreguei eu a mala do jeep com aquilo que achava que ia precisar: Um saco com corpo da máquina, e uma Nikkor 80-400mm, um conversor… e num saco à parte a Nikkor 300mm 2.8. Parecia estar tudo certo… afinal ia com intenções de fotografar aves….
Depois de lá chegar, um pouco já tarde, (e refira-se aqui que as aves se levantam muito cedo, leia-se ao nascer do dia!) não havia grandes aves. Na realidade consegui duas ou três (más fotos) duma Trepadeira-comum e dum Chapim-carvoeiro e nada mais!
Mas aquilo que de seguida vi fez com que quase voltasse a casa buscar um Flash, e outras objectivas! As espécies de cogumelos, dada a altura do ano e a humidade dos últimos dias, tinham feito com estes proliferassem pelo espaço circundante.
Em suma, fui aos pássaros, levei material fotográfico específico para esse fim, mas aproveitei para alargar horizontes…com o que tinha à mão!
De seguida entramos no interior das minas e…. não imaginam o que é tirar fotos a morcegos de ferradura, numa mina, sem qualquer luz, só com a ajuda duma pequena lanterna e com uma objectiva 80-400mm… teve piada até porque, no sítio em que estavam, era possível tocar nos morcegos, mas com a objectiva que levei tinha que me afastar aí uns 3 ou 4 metros (que é a distância mínima de focagem da objectiva), por vezes “quase tentar empurrar as paredes das minas” para ter ganhar algum espaço, enfim…
O que vale é que neste caso certamente haverá mais oportunidades e estamos na primavera!
1 abraço
Loureiro
Eu custumo ir um bocado polivalente, excepto quando levo a AFS300/2.8. De resto vai uma grande angular, uma 85 e a AFS70-200/2.8; para macro segue a AFS60/2.8 ou a AFS105/2.8.