
Foi o último romance que me passou pela mesa de cabeceira, iniciei a sua leitura mas interrompi-a em tempo de férias. Recomecei a lê-lo e depressa me apercebi que é uma pequena obra prima, intenso e profundo, o que me levou a terminá-lo rapidamente.
Este pequeno livro – tem cerca de 170 páginas – conta-nos a história de um homem que viaja para o Japão rural para as termas, lá rapidamente descobre Komako, uma jovem geisha que o irá acompanhar. A relação que nasce entre os dois está, inevitalvelmente, votada ao insucesso mas mesmo assim, ou talvez por isso mesmo, cria em ambos uma ligação profunda onde cada um dos intervenientes se irá entregar, com final distinto para cada um. O livro consegue uma descrição brilhante de toda a envolvente fisíca, de espaço e tempo mas é extraordinário na construção das duas personagens que vamos descobrindo ao longo das páginas do livro através da sua interacção, umas vezes cordial outras vezes em conflito aberto adivinhando o desfecho provável da história.
Dislumbra-se em Komako uma jovem geisha, bonita mas pouco segura de si, ainda infantil e pouco madura; Shimamura é um homem maduro mas com um conflito interno evidente que o obriga a voltar à estação termal, temporada após temporada para se encontrar com Komako, uma situação por vezes desconfortável para ambos em virtude do meio rural onde está situada a estação termal. Shimamura é um homem perdido entre duas épocas, um Japão moderno em transição de um estado rural, Komako é uma jovem deslumbrada pela ingenuidade do amor.
Um livro terno, algo soturno mas de uma beleza irresitível apenas estilhaçada pelo final inesperado. Altamente recomendado.
Foi uma surpresa quando há muitos anos li “A Casa das Belas Adormecidas”. Não me saiu da cabeça durante muito tempo e ando com vontade de o ler de novo. Ofereci-o inúmeras vezes e ainda é o meu livro preferido de Yasunari Kawabata.
José,
Depois de ler este fiquei com vontade de ler mais títulos deste autor. Obrigado pelas referências, vou ver se encontro.
Um abraço.