Nunca pensei que as minhas opiniões sobre o processamento de imagem fossem causar tanto debate, em particular com o Rui Fernandes. Expressei aqui a minha opinião sobre o assunto e antes que os restante leitores começem a ficar entediados, decidi apenas escrever sobre o assunto pela última vez (espero eu) e seguir em frente. Assim antes de dar um passo em frente vou dar um atrás.
Este espaço é meu e apresenta um pouco do que sou e como sou. Podia ser mais pessoal mas mesmo assim o que aqui escrevo, no essencial, sou eu. Dito isto apetece-me discorrer apenas mais um pouco sobre o assunto da manipulção na fotografia. Antes disso, duas definições muito pessoais e liberais sobre dois termos fotográficos:
Ajuste – pequenas alterações efectuadas na luz e na sua qualidade. Correcção de dominantes e alterações na saturação. Corrigir tons e contraste, luminosidade e exposição. Limpar ruído e/ou lixo do negativo ou ficheiro digital.
Manipulação – introdução de elementos estranhos à imagem, que não estavam no tema quando da captura da fotografia. Eliminação de elementos, rotação dos mesmos, clonagem de elementos. Alteração de corpos, faces e proporções de pessoas ou modelos.
Nunca foi meu propósito delimitar até onde cada artista pode ajustar ou manipular as suas imagens. É também isso que o diferencia dos restantes, e é uma parte integrante do seu trabalho (quer eu concorde ou não) e que eu respeito. Mas há casos onde não concordo com a manipulação – jornalismo, reportagem – outros onde acho que entra em confronto com a visão que eu tenho da sociedade actual – moda e beleza – e outros – natureza – onde não gosto de o ver pura e simplesmente. No primeiro caso há a ética em jogo e nos dois outros há uma latitude de interpretação artistíca que não pode ser ignorada. Acho que seria mais correcto (lá está, na minha opinião) se na moda e na natureza a manipulação fosse claramente assumida pelo artista, não para desvendar o mistério de cada imagem mas para não haver equívocos. Se alguém quiser construir a paisagem ideal com ‘pedaços’ de vários locais de Portugal, por mim que esteja à vontade, nem poderia ser de outra maneira. Agora não me tentem vender isso como a vista sobre o monte Z às 10 da manhã antes do nevoeiro levantar. Digam-me apenas que a cena em questão não existe, que é apenas um exercício surrealista e eu decido o resto. Se possui bom gosto, se tem mérito, se revela mestria e creatividade, tudo à luz da técnica usada.
Hoje é cada vez mais difícil perceber onde acaba a verdade e começa a beleza. Que seja, são os tempos que correm, é certo mas que nunca se deixe de questionar os processos artistícos mas que não se questionem os processos criativos porque são estes que fazem avançar a fotografia. E que a avanços assistimos nos dias de hoje!
Vivemos num verdadeiro turbilhão de criatividade, portanto aproveitam-no; inspirem-se, criem algo de novo ou algo que vos dê prazer.
E termino aqui. Agora se me permitem, vou exercitar a minha criatividade e vou dar ao obturador.
Vamos acreditar que é a última vez que o Mário fala de fotomanipulação? Não! Mas pronto, este espaço é do Mário e como tal aqui ficamos a conhecer o seu verdadeiro eu! ;)
(Obrigado pela conversa divertida de hoje à tarde. É sempre bom saber que não são só as mulheres que se juntam contra os homens e que o inverso também acontece!)
Sobre o tema não me estendo mais, porque acho que já dei a minha opinião neste espaço algumas vezes!
Abraço, Mário.
Mas Tiago o espaço é mesmo de discusão por isso venham de lá essa opiniões. Para já prometo uns dias sem voltar ao tema…
Um grande abraço