Bernd Becher died at 75, after a heart surgery. It’s a tragic loss to photography as Bernd Becher was, with his wife Hilla, the founder of the ‘Düsseldorf school’ which gave us the talents of Candida Höfer, Thomas Struth, Andreas Gursky and many others.
Read the NY Times article.
Hoje foi um dia triste para mim. Quando lia o New York Times – secção de arte, descobri que Bernd Hecher, o fundador da escola de Düsseldorf, faleceu na passada sexta feira, embora a notícia só tenha sido divulgada no dia 26, por Thomas Struth, um dos seus discípulos.
Convém aqui relembrar algum do trajecto deste casal impar, com uma carreira notável, construída sobre um trabalho meticuloso, quase documental, que transcendendo esse estatuto passou a ser considerado arte. Começaram por impor a fotografia como disciplina numa escola, a Academia de Düsseldorf, onde a tradição de formar jovens pintores tinha sido uma barreira difícil de ultrapassar e iniciaram o ensino da fotografia com directrizes precisas: ‘Pesquisa do objecto; composição a favor do objecto; luz a favor do objecto. A selecção é subjectiva, o objecto tem que se dar a conhecer, tem de ser fotografável, o resto não pode ser descrito por palavras’ (entrevista em 1992 a Wulf Herzogenrath). Quando muitas vezes questionados em relação aos métodos de ensino que aplicavam aos seus alunos, os Hecher respondiam: livros e exposições; era sua crença que não era possível realizar um trabalho fotográfico válido sem informação, sem conhecimento da cultura e da história. O contexto social também, era muito importante para o casal e era essa a mensagem que passavam aos seus alunos – que não podiam dissociar as suas obras do contexto social das ruas, dos espaços e do tempo. A não manipulação das imagens e da luz – aliás o flash não era permitido, apenas o uso da luz natural – era ponto de honra, os seus alunos deviam documentar sem intervir, contar a história sem dela fazerem parte.
Na sua carreira pessoal destacam-se as séries de fotografias com fachadas de prédios, edifícios industriais, torres de armazenamento de gás; tudo fotografado de uma maneira pouco romântica mas com um estilo marcado, frio mas que nos serve como memória, referência de um período industrial em acelerado desaparecimento, onde edifícios são deixados ao abandono até à sua aniquilação e demolição, como abandonados à morte. Nestes vazios urbanos (obrigado Daniel) deveriam um dia mais tarde aparecer novas arquitecturas e interpretações do espaço. Mas a nossa memória está bem servida pelas fotografias de Bernd e Hilla Hecher.
Nas décadas de 70 e 80 (séc. XX) sairam da Academia uma série extraordinária de fotógrafos que iria surpreender o mundo e tomá-lo de assalto: Andreas Gursky, Candida Höfer, Axel Hütte, Simone Nieweg, Thomas Ruff, Jörg Sasse, Thomas Struth e Petra Wunderlich.
Gostaria de expressar aqui os meus pêsames à familia que sofre esta terrível perda. Todos nós também a sofremos.

© Bernd and Hilla Hecher.
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